3 de fevereiro de 2017

ENTREGA, SUBMISSAS (OS) E RÓTULOS...

Entrega
Para muita gente este ato, tão corriqueiramente aludido no BDSM e, por vezes motivo de polêmica, encerra somente e erradamente a ideia de curvar-se e aquiescer às vontades e desígnios de outra pessoa no âmbito de uma “passividade”. Justamente por ser entendida, ou confundida com a passividade, a entrega é um fato frequentemente mal entendido. Entrega é atitude.
Pior do que isto, deste mal entendido, é quando não ha á percepção do que acontece. É o mesmo que dar pérolas aos porcos!
Se não houver um mínimo de empatia, se você não entender o “outro lado”, o barco afunda e aí o comandante se fode.
A Entrega é acima de tudo a resultante do desejo, da vontade (ação) de submeter-se, servir, ou de pertencer a alguém, mas somente isso não configura entrega. A entrega real só acontece quando há passionalidade. Por que não há Dom, ou Domme, com o poder de fazer isso acontecer exclusivamente por sua vontade. Este tipo de Dominante, o popular fodão, só existe nas páginas, ou nos filmes de romances e ficção.
Submissos tem personalidade
A Entrega é sempre consciente, não importando a forma como seja representada, afinal o BDSM não é para pessoas sem noção.
Submissos são pessoas dignas de todo o respeito, não apenas daqueles a quem pertencem, mas de toda a comunidade BDSM. Submissos obedecem, mas também pensam, agem e reagem, desobedecem, insinuam e manipulam. Isto não inviabiliza a entrega e faz parte do que é ser humano. 
Não existe uma receita, ou fórmula para a submissão perfeita, se assim fosse, não haveria o menor sentido na Dominação.
Por que se fossem como inertes bonecos, que você põe num canto e nada fazem, a relação resumir-se-ia somente à ação e consequentemente a um exercício de loucura. Em alguns casos, já vi muitos, se o Dom, ou a Domme, bobear... vira marionete!



BDSM é como jogar Xadrez: É para quem pensa
Aí está a graça de tudo, este é o jogo. Sempre foi assim independentemente de qualquer denominação, ou rótulo, pois o que caracteriza a submissão de cada um é o seu, comportamento, a sua personalidade, e não qualquer nome, ou tipo que se possa atribuir.
Nem sempre quem se diz é o que verbaliza. Mas quem é, ainda que nada fale, sempre será reconhecido. A vaidade às vezes cega.



Werther von AY erschaffen