30 de outubro de 2016

O PODER DA DOR

Segundo a ciência, Dor é uma experiência sensorial produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis a esses estímulos, ou emocional, desagradável e associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano.

Na ótica BDSM a dor é muito diferente e muito mais do que isto. E justamente isso é que é difícil de passar a quem não curte Dor (não importa o modo), principalmente a quem não é BDSM.
Por uma questão de desconhecimento e de preconceito (conceituar sem conhecer), a maioria das pessoas compara Dor à fraqueza e sofrimento. A Dor é entendida somente como algo ruim, algo a ser evitado. Será mesmo assim?


Dor é sentir o toque e os efeitos do poder consubstanciado e materializado como fonte de prazer. Poder este que é doce e inebriante.
Dor é um afago, pode ser atenção, carícia, é interação; a Dor nada tem de desagradável aos olhos, ou melhor, aos corpos de quem se permite conhecê-la em nuances outras e então, aprecia. Não somente os considerados masoquistas puros, mas também os baunilhas fetichistas, aqueles não tão “hard”.

A Dor pode ser algo tão agradável quanto os primeiros raios do sol numa manhã muito fria.
A Dor faz com que um Flog seja visto como extensão dos braços de quem detém o poder.

Um tapa é um carinho, algemas, clamps, correntes etc são como joias na senzala e as marcas os presentes recebidos. A Dor também participa da beleza corporal, das expressões de êxtase e tesão.
Dor não é sentimento de autodestruição, nem ausência de amor-próprio. Dor é também amar a si e aos seus instintos.



Dor é gozo, é um requinte do prazer

Não se explica em palavras, o corpo

mostra a quem tem olhos para ver

É dialeto do corpo que treme e fala

o escrito na pele, em vergões, marcas

E a alma sente, grita, regozija, delira



Dor não é a resultante nem prova de fraqueza, ao contrário há de ser forte não somente para suportá-la, mas para reconhecer-se como adepto.
Bate-me e faça-me mais forte, me bate e faça-se minha (meu), na exata proporção em que me entrego, pois só me bates por consensualidade, me bates quando assim o desejas e por que permito. Dou a Ti o poder de bater, mas sei, embora não o diga, que posso retirá-lo quando assim o quiser...


Entrego-me e assim dou-te o poder, para que exerças este mesmo poder sobre mim. E faço a desigualdade que nos caracteriza e tanto apreciamos.





Werther von AY erschaffen