25 de agosto de 2016

CADELAS NÃO GUARDAM MÁGOA



Ela havia suplicado a ele, de joelhos, que não a deixasse. Que não a abandonasse na estrada como um animal que não se quer mais e se deixa sozinho num lugar estranho pra que fique desorientado e não saiba voltar. Mas, ele estava irredutível.

Ela também estava determinada a segui-lo e nem se preocupou em secar as lágrimas. Correu atrás do Dono em desespero, língua pra fora a destilar pela estrada, gota a gota, todo seu amor submisso... O pelo encharcado do suor frio de medo... Os olhos vidrados colados no Dono lá na frente, para não perde-lo de vista um só instante. 

Ele dirigia sem olhar para trás. Estava determinado a não parar. Tinha receio de se arrepender, parar e pegar a cadela ao colo, e sentir mais uma vez as delícias de seu amor inteiramente despojado, o amor e as carícias que recebia desde que a tomou para si. 

Na corrida seguindo o Dono ela via de relance pessoas às margens da estrada. Algumas, bem poucas, a incentivando a continuar... Muitas, sem entender o porquê de seu amor incondicional, gritavam: 

_Pára! Volta!... Não vê que ele não liga?... Desista! Haverás de encontrar outro que te queira! 

Não percebiam, essas pessoas, que ela não queria mais ninguém além de seu dono? Não queria e não precisava. Não queria, não precisava e nem podia. Pois já não tinha mais nada que ainda fosse seu para entregar a outro. TUDO em si já tinha entregado a ele.

Incrédulo diante de tanta determinação, ele arriscou uma olhada pelo retrovisor. 
Ofegante, ela não perdia a esperança, não deixava de acreditar e isto o comoveu e o fez parar. Não deu uma ré com o carro, no entanto, quis experimentar se ela conseguiria chegar até ele... Parecia que cairia a qualquer momento. Mas, ela não caiu e respirou aliviada quando ele abriu a porta e a deixou entrar. 

Saltou rápido pra dentro, com medo que ele desistisse de leva-la de volta, e o lambeu agradecida. Seus olhos guardavam um brilho inacreditável. Ele a afagou no pelo e achou que ela sorria... Mas, cadelas não sorriem... Que expressão seria aquela? 

Ela continuou lambendo a mão do dono, sorrindo. E ele aprendeu - coisa mais linda - que, além de sorrir agradecidas, cadelas não guardam mágoas.


Amar Yasmine do SENHOR WERTHER

em setembro de 2003

14 de agosto de 2016

EXPLICANDO O NOME "AMAR"



Muitos pensam que este nome é uma alusão ao verbo amar. Não, não é.
"Amar" quer dizer "Lua no Quarto Minguante", em árabe. A Lua Minguante com seus mistérios.
A Lua  que reverencia à Deusa Ceridwen,  Senhora da chave e do caldeirão, Deusa da Sabedoria, da Inteligência, da Fé e da Compreensão. 

A Deusa Anciã, que reside no Norte, que conhece o passado de todas as coisas e tem o conhecimento de muitos mistérios do universo.
Ceridwen tem o poder de exterminar todas as coisas negativas, transmutar Karmas, solucionar problemas, curar doenças, afastar intrigas, inveja, problemas e os obstáculos que nos impedem de chegar à plena felicidade.

Por isso, é na Lua Minguante que meditamos, para finalizar projetos e expurgar tudo que for negativo.




Meditação da Lua Minguante



Concentre-se. 
Visualize Amar, uma lua minguante, 
envolta pelo manto escuro da noite.

Ela se curva para a esquerda 
para homenagear Ceridwen, 
a Anciã que ultrapassou a menopausa. 

Todas as coisas devem terminar 
a fim de suprir seus inícios. 


O grão que foi plantado deve ser cortado. 
A página em branco ser destruída, 
para que a obra seja escrita. 

A vida se alimenta da morte; 
a morte conduz à vida 
e, nesse conhecimento, 
encontra-se a sabedoria. 


Ceridwen é a mulher sábia, 
infinitamente velha. 

Sinta a sua própria idade, 
a sabedoria da evolução 
armazenada em cada célula do seu corpo. 

Conheça o seu próprio poder para finalizar; 
para perder, assim como para ganhar; 
para destruir aquilo que está estagnado e decadente. 

Veja a Senhora em seu manto negro sob a lua minguante; 
invoque seu nome 
e sinta seu poder em sua própria morte.