24 de julho de 2016

TE DEVO MUITO, DONO



Te devo tanto, meu DONO

Te devo minha alegria em tempos difíceis
E a vontade de viver para ser sempre tua

Te devo a submissão que me impregnas
E o fortalecimento da minha fé numa entrega absoluta

Te devo o conquistar do Homem pela mulher por trás da escrava
E o lugar que me destes na palma da tua mão

Te devo o resgate da minha auto estima 
E o meu renascimento 

Te devo o despertar da puta adormecida
E a minha naturalidade, enfim, de volta

Te devo o latejar constante do meu sexo
E a doçura que agora irradio a cada respirar

Te devo o pulsar acelerado do meu coração
E a quietude da minha alma

Te devo todo aprendizado

Meu crescimento

Meu aprimoramento 

E a minha paz


Amar Yasmine do 
SENHOR WERTHER

{W_[amar yasmine]}

18 de julho de 2016

SEM QUALQUER PUDOR - I

Momentos Marcantes da Minha Infância




Minha infância foi reveladora, com desejos intensos, sensações múltiplas, fase de muitos mistérios, também de fatos velados, medos aterradores, componentes que já me conduziam ao prazer. Foi na infância, lá por volta dos sete anos, que descobri que o sexo, muito mais do que um pecado, segundo a educação que me davam, era algo tão prazeroso que fazia vibrar cada uma das minhas células.

Foi também na infância que escolhi um papel bem diferente dos escolhidos pela maioria das mulheres em qualquer idade: mais do que escolher, determinei pra mim mesma que seria submissa, o objeto de prazer de um homem.

Desde bem pequena notava a insistência de olhares masculinos sobre mim. Estava longe de ser uma menina bonita, mas era delicada, envaidecida e orgulhosa de ser mulher. Desde esta época, eu agradecia por ter esta sorte.



Tinha cabelos longos, bem abaixo da cintura, que minha mãe escovava todas as noites dezenas de vezes, apesar das minhas reclamações, me dizendo pra ficar quieta pois eles precisavam se manter macios e brilhantes porque um dia eu encontraria um homem que se orgulharia de ter uma mulher com cabelos assim.
Então ela me convencia com este argumento e eu ficava imóvel, contando em silêncio cada uma das vezes que a escova tocava minha cabeça e descia pelos fios... até Morfeu me levar em seus braços para lugares diversos, cercados de mistérios e poesia, onde eu podia ser o que quisesse pois ninguém me censuraria.

Aos quase nove anos, num sábado perto do meio da tarde, parou um carro do outro lado da rua e dele desceram algumas pessoas. Minha mãe tinha saído pra encontrar meu pai e me deixara com a empregada que para se livrar da incumbência permitiu que eu ficasse brincando com as outras crianças no passeio.

O carro era grande e bonito, tão bem encerado que eu até podia ver meu reflexo na pintura como se olhasse no espelho. Dentro dele havia dois homens e uma mulher. Um dos homens desceu com a mulher e juntos se encaminharam ao portão da casa. O outro atravessou a rua e veio em nossa direção. Ele devia ter a idade do meu pai, usava bigode e me fascinou com sua voz grave e macia. Aproximou-se de nós, falou algumas coisas que eu não me recordo, pois meus olhos estavam fixos nele... Daí em diante, só me lembro dele ter pegado minha mão e me levado com ele para o outro lado da rua, sob o pretexto de que eu seria o amuleto que lhe daria sorte no jogo.


Eu já ouvira meus pais falarem que naquela casa funcionava um cassino, mas não sabia o significado da palavra e me deixei levar pra dentro encantada. Era tudo muito bonito e bem arrumado. Cores alegres, vibrantes, mesmo com as cortinas cerradas. Sentaram-se à volta de uma mesa redonda onde havia muitas moedas de plástico empilhadas por cor e várias caixas de baralhos. O homem de bigode se sentou e me colocou montada em sua coxa esquerda como se fosse sobre um cavalo. Por vezes passava os dedos pelos meus cabelos e, quando o fazia, eu sentia o cheiro de seu perfume. Não me lembro de como era seu rosto, mas guardei na lembrança suas mãos de dedos longos segurando as cartas, o formato agradável de suas unhas, os braços cobertos por uma camada fina de pelos, os pulsos largos e aquele relógio com ponteiros que davam saltos sincopados, num tempo sempre igual.




Algumas vezes suas mãos deixavam as cartas viradas pra baixo sobre a mesa e seus dedos envolviam minha cintura pequenina. Nestes momentos me lembro de estremecer e de sentir uma dorzinha muito fina e gostosa vinda de baixo, me invadindo insistente, como se fosse uma agulha bem longa, feito as de tricô, tentando perfurar algo dentro de mim, abaixo do meu umbigo. Quando ele me soltava, e voltava a segurar as cartas a dor desaparecia. Entretanto, quando ele as deixava de novo sobre a mesa, mesmo antes de me tocar, lá estava de novo a agulha, tentando e tentando, até que senti quando ela pareceu romper algo dentro de mim e, muito envergonhada, pensei ter feito xixi sobre a coxa dele.

Ele me colocou no chão e eu olhei rápido pra perna dele. Sua calça estava úmida onde eu estivera sentada e eu o ouvi dizer:
_Vocês querem tanto que eu me case, então encontrem pra mim a réplica desta menina em tamanho maior e deixarei para sempre  de ser solteiro._E deu uma gargalhada alta e generosa que encheu toda a sala.



Todos riram e eu fugi correndo daquela casa ignorando os chamados para que eu voltasse, para me refugiar no aconchego do meu quarto. Me enfiei na cama, coloquei o travesseiro sobre a cabeça e lá fiquei escondida em meio a lágrimas, pensamentos, desejos e vergonha.

Meus pais chegaram, tentaram tudo pra que eu saísse da cama e comesse... Ma eu não saí. Durante dias fiquei ali com a cabeça sob o travesseiro... A cama foi o meu lugar predileto naqueles momentos de inquietude. Sentia a mão dele na minha cintura e lá estava a agulha longa de tricô insistindo em perfurar alguma coisa dentro de mim.

O tempo passou, nunca mais vi aquele homem, mas jamais o esqueci.  Ouvi meus pais comentarem que os vizinhos perderam a casa no jogo. E eu pensava se um dia teria a sorte de encontrá-lo novamente para ver mais uma vez aquelas mãos de dedos longos segurando as cartas, o formato agradável de suas unhas, os braços cobertos por uma camada fina de pelos, os pulsos largos, um deles com aquele relógio cujos ponteiros saltavam sempre num ritmo só... E sentir seu perfume... Suas mãos enlaçando minha cintura... E a agulha longa de tricô me invadindo por baixo...





Amar Yasmine do SENHOR WERTHER
texto redigido e publicado pela primeira vez
em setembro de 1998

10 de julho de 2016

LIMITES PERIGOSOS

Limites configuram um terreno onde se pisa devagar, onde se transita com cuidado extremo, um quase campo minado.

O Limite físico trata apenas da superação do corpo, das dores, e até da exaustão, mas há outros Limites bem mais delicados e perigosos. Os Limites do Emocional, da autoestima.

Na ótica submissa a autoestima é fundamental, é o motor de arranque para que essa máquina de servir funcione plenamente. O combustível é a atenção e o cuidado dispensado por quem Domina. Construímos a submissão cuidando de quem nos oferta o poder que exercemos, mas podemos destruir a tudo quando agimos de forma contrária.

Aí reside a responsabilidade de quem Domina. Isso é construção, a construção de laços em uma relação e a própria relação. Não basta somente construir uma Liturgia, ou comportamentos. Há de se construir a vontade, o querer pertencer. Infelizmente isso é algo que não é percebido por quem não é do ramo.

Na relação BDSM há um desequilíbrio de poder e a necessidade de um equilíbrio nas ações.




Não existe uma receita padrão para lidar com isso, cada submissa tem lá as suas particularidades emocionais. Em uma senzala múltipla forçosamente haverá a necessidade de um diferencial no tratamento. Elogios constroem, criticas construtivas idem, mas aquelas descabidas, assim com a Humilhação excessiva, principalmente quando impensada, podem ter consequências desastrosas. A Empatia permite entender, pelo menos em parte, como o lado submisso pode reagir. Colocar-se no lugar de quem dominamos, quase sempre do sexo oposto, é necessário.

Dominar é conhecer a mente submissa.

A autoestima destruída descaracteriza a pessoa e pode acarretar em revolta, negativismo e até mesmo Depressão. Já vi muita gente vivida no BDSM ter problemas decorrentes do “mal uso” por que passaram (no BDSM o bater não significa mal tratos, muito pelo contrário). 

Não aludo unicamente à questão amorosa, isso é importante, mas fatores outros como senso de Justiça e reconhecimento são igualmente importantes. Submissos (as) precisam saber de como e quanto são importantes para seus Donos. Justamente por isso, desde o início da minha relação com Amar Yasmine sempre fiz do orgulho que sinto por ela, uma verdade.


É minha!


Werther von AY erschaffen

5 de julho de 2016

AINDA LEMBRO

Lembro-me de um tempo em que o BDSM primava por uma Elegância, a Elegância do Comportamento. Era o tempo de glamour onde a imagem era muito importante e não bastava vestir a fantasia, era primordial vivê-la. Havia um encanto.
Lembro-me de um tempo em que a Liturgia tinha um forte significado. Não falo de uma Liturgia restrita a esta ou aquela senzala, mas da Liturgia que imperava no âmbito BDSM. A simbologia de um Dress code, o código de sinalização Esquerda/Direita indicando a posição Top/sub. Os Contratos e Registros. Até mesmo a Coleira que simboliza o compromisso e a posse, seja real, ou virtual, está cada vez mais rara.
O BDSM também tem os seus Protocolos e Formalidades
Tudo era mais sentido e palpável, havia um comprometimento maior! Participava-se de discussões, opinava-se mais, ensinava-se e aprendia-se.
A postura dos submissos era entendida como um reflexo da mão Dominante. A postura do submisso enaltecia a imagem do Top. Havia uma atenção em relação ao comportamento, não apenas nas plays, mas também no meio virtual.
Havia um quê de confraria. Já vi Top defender uma escrava encoleirada, ainda que não de sua propriedade, do assédio de outro Top, ou que assim se intitulava, apenas por uma questão Ética.
Em nome de uma pseudo modernidade, essa necessidade de simplificar tudo, até mesmo o essencial, o básico foi diluído, os alicerces condenados. Uma abertura excessiva também contribui para isto. A casa prestes a ruir.
Perdemos a essência!



Não é uma simples questão de saudosismo, preconceito, ou aversão ao novo; o fato é que muito da essência do BDSM vem, há algum tempo se perdendo.
Os recém chegados, em grande parte, não vivenciaram este momento, não conheceram esta realidade. Como poderiam exercê-la? E quem poderia, ou mesmo deveria manter e passar-lhes estes preceitos?
Essa descaracterização não acontece apenas aqui, no nosso “mundinho de quatro letras”. Há sim, uma tendência de toda a sociedade em simplificar coisas importantes como alguns valores, o que os torna quase descartáveis. Não é o que se faz, mas como se faz.
Falta conceito. Decorrente de tal situação, muita gente afastou-se das listas e agora das redes sociais. O que é visto apenas como renovação, esconde um esvaziamento da Cultura BDSM que se vê na mídia Web.



Werther von AY erschaffen