29 de junho de 2016

CUMPLICIDADE

Não há relação plena no BDSM sem Cumplicidade. É ela quem dita a intensidade e confere a "veracidade" das relações.

Cumplicidade não é Intimidade.

A condição fundamental para haver Cumplicidade é a Autenticidade das partes envolvidas que tem, como consequência a Confiança.

Dentre tantas definições, a Autenticidade é a garantia de que você é quem diz. Então é totalmente contraditório ser autêntico sem a consciência do fato.

Autenticidade não é exatamente aquilo que os outros percebem em nosso comportamento, mas sim o que nós mesmos percebemos em função do que praticamos.
O autêntico reconhece a si.




Ser autêntico é ser "Eu" em toda a plenitude, com tudo o que nos faz únicos. Negar este "Eu" é descaracterizar-se e assim cair no lugar comum. É ser apenas mais um.

Ser autêntico é saber-se e aceitar-se, sem incertezas; é impor a si a própria realidade em detrimento de qualquer outro padrão de ser. É não viver uma mentira, às vezes um estereótipo, mas sempre a própria verdade.

Há padrões em qualquer setor da atividade humana, o BDSM não é a exceção, então o Estilo, a Persona, é o grande diferencial, e este diferencial é o que faz a imagem do Eu, a imagem que projetamos.

Aquela retórica rígida que formatava os comportamentos em todo o universo BDSM e homogeneizava as pessoas há muito caiu no esquecimento, mas há ainda quem siga fielmente esta vertente, fato que respeito.
Ser autêntico é primar pela Coerência e isso é ser constante nos seus propósitos ao longo do tempo, às vezes à própria vida.

Ser autêntico é ser cúmplice de si. Fator essencial para uma outra Cumplicidade, agora com outrem. Isto traz para a cena o "Nós", em detrimento dos "Eus" e "Tus" que vivem em tantas relações insípidas, pois há pouco de "Re" e muito de "Ações".

O BDSM agrega, enquanto o individualismo camuflado na ausência de uma Cumplicidade nega  esta premissa e limita a relação.

Escrever nem sempre é fácil, há dias em que a inspiração passa longe, ou então perde-se o foco por algum motivo torpe. Dar um sentido às ideias fica muito mais fácil quando me reporto ao meu cotidiano, a alguém em especial, ou ambos.

Finalmente consegui parir alguma coisa pensando nas pessoas que admiro(ramos) (minha escrava e eu), mais especificamente você Vaca Profana, Lia Greco, vaquinha.




Conheço várias pessoas, no BDSM, dignas da minha admiração, citar a cada uma seria algo bem difícil, então, como exemplo, cito você, Vaca Profana, ou Lia Greco, a quem prefiro chamar simples e carinhosamente por  "vaquinha". Suas autenticidade, lucidez e coerência fazem de você alguém muito especial.




E tenho dito.
Muuuuuuu.

20 de junho de 2016

EU QUERO TE FODER...

Hoje, 20 de junho, são nove meses a seus serviços, 
Senhor Werther, meu Dono e meu Amor. 
Por acaso, encontrei no perfil de um amigo este texto lindo e, à medida que lia, 
comecei a ouvir sua voz rouca e macia sussurrando cada palavra 
desta maravilhosa declaração de amor nos meus ouvidos. 
Não consigo desvincular as palavras da sua voz. 
Para mim, mesmo sabendo que não, a autoria é sua, meu Dono. 



"Eu quero te foder. Essa é a melhor declaração de amor que eu posso te oferecer, porque não há nada mais amoroso que dizer a quem se ama: eu quero te foder. Foda-se o moralismo, foda-se o romantismo, foda-se o clichê, o ético, o convencional… me perdoem os ultrarromânticos…
Amor pra mim é essa vontade que eu tenho de te foder pela casa inteira e em outros tantos lugares que esse mundo vasto pode oferecer a dois amantes depravados.




Eu sei, eu poderia dizer que te amo, mas se eu dissesse apenas isso, você não saberia o quanto eu quero te foder. Porra, se eu te chamo de vadia, vagabunda, cachorra, puta…Eu tô dizendo que te amo, tô dizendo que te foderia a vida toda sem perder o puto tesão que eu sinto todas as vezes que você me provoca rebolando na minha cara. Eu quero te foder, quero entrar fundo no teu corpo, porque além de ser a forma mais sincera que eu encontrei de demonstrar meu amor, essa também é a maneira mais profunda de encostar minha alma na tua."

Otávio L. Azevedo, O Buendía


12 de junho de 2016

TODOS OS DIAS SÃO NOSSOS



_Parabéns pra N/nós, Dono.._ela disse sorrindo com um olhar adocicado...

_Parabéns por que, MINHA criança?

_Porque hoje é o Dia dos Namorados, meu Dono..

_Então, deixe que os namorados comemorem, escrava.

_Não podemos comemorar também, meu Senhor?

_Se você acha que é tão importante... se pensa que é isto que somos...

Ela parou pra pensar se era mesmo tão importante... se fazia falta... e concluiu:

_Não é importante, meu Dono e meu Amor. Foi só um momento bobo, este de  comparar o que temos e o que somos um para o outro, com o que têm os casais que precisam de uma data instituída pela sociedade de consumo para fomentar o mercado e, só aí, se lembrarem de comemorar sua relação.

_Ahhh... chegou onde eu queria...

_Perdão, meu Senhor, se por um instante me deixei levar por pensamento tão leviano. É claro que não precisamos comemorar um único dia, se estamos sempre comemorando , todos os dias e todos os momentos da vida. Se temos o que raros casais têm.

_Hummm... veremos... acho que posso ser condescendente com você dessa vez. Afinal... _E de repente se calou enigmático.

Ela sabia muito bem qual era o seu papel... onde era seu lugar. A consciência a fez baixar imediatamente a cabeça e a manter os olhos presos ao chão. E quando ele lhe fez um afago em seu pelo loiro e com a voz grave e macia o ouviu dizer bem pertinho do ouvido:

_MINHA escrava submissa, MINHA masoquista, cadela atenciosa, MINHA puta, MINHA filhinha, MEU brinquedo, palácio onde descanso das dores do mundo, MEU oásis... MINHA!!!

Ela suspirou encantada e sentiu o tesão provocar aquela fisgada nas entranhas que sempre a faz molhar...