27 de maio de 2016

LA PETITE MORT



Adoro sexo, sempre adorei. Já adorava mesmo quando não sabia o que era, que existia o tesão e o orgasmo, que prefiro chamar de gozo.

A primeira vez que gozei achei que estava morrendo e choreiiiiiiii... Eu tinha apenas 13 anos e ele beirava os 50... Era um homem maravilhosamente ordinário, o meu dentista.

Ele subiu minha saia até a cintura, arrancou minha calcinha, abriu minhas pernas e ficou olhando... Eu não sabia, mas já adorava ser escancarada e olhada. Ele fez isso e começou a beijar minhas pernas... Subindo pela parte interna das coxas... Roçando a minha carne com seu bigode ruivo, atrevido e macio.

E eu pensei desesperada: "Será que ele vai colocar a boca lá???"

Não estranhem. Eu vivia trancafiada por pais muito conservadores e rígidos que me vigiavam 24 horas por dia.  Mas, como diz o diabo:
_Nada segura uma mulher com tesão... Nem mesmo quando ela é apenas uma menina."

Eu não ía sozinha a lugar algum, mas ele era o dentista de toda família, um senhor respeitável, meus pais tinham certeza de sua seriedade.

Sua boca subindo ávida pelas minhas coxas e eu pensando que aquilo não podia existir porque ninguém colocaria a boca no sexo de uma pessoa... Mesmo assim, não esbocei nenhum gesto que o pudesse desencorajar e deixei que ele se regalasse em mim. Pra que impedi-lo de fazer coisa tão boa??? Portanto, permaneci imóvel e muda.

Que o mundo acabasse naquela hora! Era tudo que eu queria... Pra que viver depois de uma maravilha daquelas?

Ele levantou minhas pernas até que os joelhos tocassem meus seios e as manteve flexionadas e escancaradas. Degustou meu tesão com absoluta calma e prazer.
Afundou a língua macia me invadindo, alternando com movimentos suaves em volta do grelo... Bem de leve... Como deve ser uma boa chupada...

E foi num átimo que o gozo chegou e me pegou de cheio.

Estaria eu morrendo? O choque foi surpreendente. O coração voando louco... O sangue circulando pelas veias como uma corredeira... Por todo o corpo... Meu rosto que eu sentia rubro... Todo meu ser em labaredas... Em seguida, um amolecimento delicioso... Uma total incapacidade de esboçar qualquer reação... Um entorpecimento... Uma calma jamais sentida... A paz!

Me esvasiei de chorar por baixo e por cima... Sim... Eu solucei de prazer e de medo... Medo de morrer... Eu estava, sim, morrendo... Solucei.

_Calma, minha criança, esta não é a morte derradeira,  é apenas "la petite mort", como chamam o gozo, os francezes. E me aconchegou em seus braços.

Aos poucos, meus soluços foram se esvaindo e, o que restou deles, se transformou num suave ressonar junto ao peito dele.

20 de maio de 2016

OITO MESES



Oito meses a teus pés, parece que foi ontem a noite de 20 de setembro de 2015.


Com o poder de um raio me possuistes, invadistes minha alma e, com sabedoria e competência ocupastes os espaços do meu coração incrédulo e sem esperança.

A cada dia, desde então, sou mais tua. Vivo para Te saber feliz, para ver o teu prazer e o teu orgulho e, tudo isto, meu Dono, faz de mim uma mulher plena e uma escrava na busca do aprimoramento.

Ser tua me abriu as portas da felicidade, Senhor Werther, meu Amor e, posso Te assegurar, que não haverá limites à minha dedicação,  devoção e à minha submissão.

Todas as mulheres que existem em mim Te agradecem por toda luz que derramas sobre mim e sobre minha vida. Todas essas mulheres se curvam docemente submissas e obscenamente perversas para beijar teus pés, tuas mãos e tua alma.

16 de maio de 2016

DUALIDADES



Amar Yasmine, MINHA escrava!

Não sou seu, não lhe pertenço!

Não aceito ordens, pois escravo seu não sou e nem lhe faço vontades. Não sou submisso.

Não me diga o que fazer, ou pensar; faça tão somente o que lhe ordeno e o que permito. E o que permito é a sua felicidade em saber que me pertence e a mim serve.

Mostre-se a mim, mostre-se toda, sem reservas. Encante-me e me fascine; mostre-me sua inteligência e me seduza. Cubra-se em Luxúria e com este véu turve a minha razão.


Sublime-se, faça-se etérea e solte-se no ar. Perfume o ambiente de Feminilidade e Lascívia.

Perverta o tempo e os sentidos, transforme a minha resistência e o meu não querer, sem o seu querer, em tesão e desejo.

Com a teia dos seus cabelos, ofusque minha visão. Não me prenda, mas me faça perdido com sua leveza e sua transparência.

Desperte meus instintos e desejos. Você, ser diáfano e profanador. Sufoque-me com seus cheiros e me afogue em seus líquidos. Faça-me inebriado e embriagado de você.

Desmonte minhas barreiras com a doçura e o encanto dos seus mistérios e me mostre seu lado mais lúgubre, a sua doce sombra.



Busque em mim os desejos inconfessáveis e me diga dos seus. A esta altura, somente os corpos falam, conversam e se perdem em descaminhos.

Perverta-me a moral e todos os resquícios do certo e do errado. Mostre-me a sua moral, pois o certo agora é somente o prazer.

Mostre-me as sutilezas, doçura e a leveza da “morte” e da pequena morte. E, então resgate-me e afague a minha fraqueza.


Agora sou seu!

Mas não lhe pertenço.


Werther Von AY erschaffen



10 de maio de 2016

A DIVERSIDADE E A VERDADE DE CADA UM


O BDSM, ao longo do tempo, vem se metamorfoseando. O que era inicialmente definido em uma ótica muito crua e restrita, apenas o SM, evoluiu com a inserção das duas outras consoantes; isso, no meu entender, trouxe um sentido mais abrangente, significativo e apropriado, afinal o BDSM atual é muito mais do que reflete a dualidade Sadismo e Masoquismo.

O que temos atualmente inserido sob a égide dessas quatro letras é uma infinidade de Fetiches e Comportamentos, que desde a época das listas até hoje, nas redes sociais, tem sido motivo de constantes questionamentos, pareceres e discussões. O BDSM ficou departamentalizado, embora não se trate de “setores estanques”.


Com bom senso e respeito, consegue-se permear por estes e conviver com as diversas opiniões, sem choques. Aliás, choques é o que não falta por aqui.
O BDSM passou a ser como a impressão digital. Cada um tem a sua, mas todas com aquelas ranhuras e linhas concêntricas como significado de “uma só essência”.

Apesar dessa diversidade, temos algo em comum, que deveria ser um fator de união.
Somos considerados diferentes; somos (todos) a exceção. Somos contracultura.
Somos estereotipados, criticados, marginalizados... E outros tantos “ados”. Além disso, não temos visibilidade social, como há em outras “civilizações”, especialmente na seara norte-americana, ou na europeia.

Por aqui, os conceitos da moral vigente não permitem que sejamos respeitados e entendidos como um grupo de pessoas normais, que trabalha, paga seus impostos, assume responsabilidades, etc. Há o “status quo”, de uma falsa moralidade, impregnado na mídia, que permeia a sociedade cerceando a visão, o entendimento e a razão.

Neste ponto, até que o contestado "50 Tons de Cinza" serviu para mostrar que existimos e que não somos um bicho de sete cabeças, ou a besta do Apocalipse. É muito certinho e bonitinho, é bem romanceado, mas tem lá o seu valor; afinal o BDSM real não exclui a passionalidade.
Muito das relações primam por esta vertente. A gente se apaixona por aquilo que faz, ou pelo outro lado, seja a pessoa, o personagem, ou ambos.
Quanto a mim, jamais saí totalmente ileso de uma relação, nem tenho a pretensão de que isso aconteça.



Penso que certas coisas na vida não admitem o meio termo, ou você entra inteiro, ou é melhor não se aventurar. Por outro lado algumas flores têm espinhos, então...
Amo ao que tenho e principalmente ao que conquisto; então a minha escrava não seria a exceção.
É assim: O BDSM tem os bônus e também os ônus!
Mesmo assim, sou daqueles que acreditam que o melhor é manter o BDSM na obscuridade, pois quanto maior for sua exposição, maior será a pressão. Isso sem contar com o assédio de curiosos, e pior, dos arautos da hipocrisia, que sempre aproveitam para criticar.

Eu gosto é assim, na obscuridade, no gueto. O BDSM é fascinante, e continua fascinante mesmo depois de tanto tempo. Por que há pessoas fascinantes, essa é a questão. Pessoas inexpressivas, que não fascinam, simplesmente desaparecem com o tempo. Aqui não é diferente do que ocorre na natureza, há sim, uma seleção natural. A força de cada um está na sua autenticidade e só os autênticos sobrevivem.

Certamente a metamorfose do BDSM não chegou ao fim, as combinações das quatro letras tem um limite, mas não a imaginação e a criatividade do ser humano, ou a diversidade de novos e inimagináveis comportamentos. Conviver nessa verdadeira galáxia, em que todos brilham é fácil, basta ter a noção do próprio brilho e respeitar os demais.


Werther von AY erschaffen

8 de maio de 2016

PARABÉNS, MAMÃES, HOJE É SEU DIA!

Mas, que mães?




Nós, homens e mulheres, crianças, animais, vegetais, minerais, manifestações maravilhosas da natureza, que acolhemos, punimos para educar. Todos nós que protegemos, acariciamos e inspiramos.



Todos nós que, além de criarmos os próprios filhos, criamos os filhos dos outros. Que abrimos os braços para socorrer quem está a perigo, que ajudamos os que precisam de ajuda. Que dividimos nosso alimento com qualquer ser, seja de que ordem for a fome e o alimento.



Todos nós que multiplicamos nosso amor, que nos despojamos dos sentimentos pequenos, que procuramos viver a grandiosidade nos concedida pela Força Criadora do Universo. Nós, que imitamos o brilho dos astros na vida de alguém. Que abrimos para outros o caminho físico, ou mental, entre as trevas.



A natureza. As árvores que nos dão seus frutos e nos oferecem a sombra de suas copas frondosas. A chuva que rega, a briza que acaricia, o vento forte que limpa. As pedras e os espinhos que ensinam.
O fogo que purifica, a água que mata a sede. Por fim, a terra. Ela que, sempre, recebe a cada um de nós de volta a seus braços.



Bem-aventuradas, mães!

3 de maio de 2016

MENOS A MIM..



Conheço a aurora com seu desatino

Conheço o amanhecer com seu tesouro

Conheço as andorinhas e seu destino

Conheço rios sem desaguadouros

Conheço o medo do princípio ao fim

Conheço tudo, conheço tudo

Menos a mim...



Conheço o ódio e seus argumentos

Conheço o mar e suas ventanias

Conheço a esperança e seus tormentos

Conheço o inferno e suas alegrias

Conheço a perda do princípio ao fim

Conheço tudo, conheço tudo

Menos a mim...



Mas, depois que chegaste de algum céu

Com teu corpo de sonho e margarida

Para afinal revelar-me quem sou eu

Posso afirmar enfim

Que não conheço nada, nada, nada

Nem mesmo a mim.


Ferreira Gullar