31 de janeiro de 2016

UM PASSADO SEMPRE PRESENTE



Nós vamos ensinar a você o fervor.
Nossos atos se prendem a nós, como ao fósforo sua luz.
Nos consome
é verdade,
mas fazem nosso esplendor.
E se nossa alma valeu alguma coisa
é por ter ardido mais intensamente do que outras.



Vamos ensinar a você o fervor.
Uma existência patética.
Ser tranquilo é ser trágico.
Eu não almejo outro repouso que o sono da morte.
Espero, depois que tiver exprimido nesta terra tudo que havia em mim,
satisfeito, morrer completamente,
Desesperado por fazer ainda mais.


Nossa vida há de ser diante de nós, como um copo de água gelada.
O copo úmido nas mãos de quem tem febre e quer beber,
e bebe tudo de uma vez.
Sabendo que devia guardar.
Mas, não podendo tirar dos lábios o copo delicioso.
Tão fresca é a água
e tão apaziguadora da sede.

(André Gide- O Copo de Água)


Assim como a amada amiga sub-ísis, que fez parte do nosso passado e fará sempre parte do nosso presente, continuam também em nossa lembrança como merecedores da nossa admiração, afeto e respeito, os amigos que se permitiram o prazer e a felicidade:

rosa vermelha

Rainha Roxanne

Falcão Peregrino (T-Rex)

Maestro Alex

bionda

Loba SP

Shay, Menina Má

sub annie

Seu Dono

Abbadon

Lunne Reine

Senhor Wilson


A esses e outros que não conheci 
e aos que não soube da partida 
deixo aqui minha doce lembrança.

"O mundo é mágico. 
As pessoas não morrem, ficam encantadas"

(Guimarães Rosa)



19 de janeiro de 2016

O ABUSO EM BDSM – CONSIDERAÇÕES



Se há um assunto que não é muito comum, mas de tempos em tempos vem à tona, e quase sempre com a mesma cara, é a questão do Abuso nas relações BDSM; normalmente em episódios em que a violência extrapola os limites do bom senso. Poucos são os comentários que tratam este assunto de forma mais abrangente, mas os casos de Abuso se multiplicam em proporção considerável, no dia a dia.

Entendo como abuso a tudo o que não segue as normas e limites acordados entre as partes, independentemente de a relação ser SSC ou RACK; afinal, o fato de haver a ciência dos riscos não exclui o bom senso. Então ninguém vai sair por aí mutilando o outro tendo como justificativa o perfil da relação de Risco Assumido.
O Abuso atinge tanto Tops quanto bottons.

Na verdade, o Abuso, ou melhor, o risco do Abuso faz parte do BDSM e é realmente como um fio de navalha o que separa o ousar do abusar. Ter a real noção do ponto máximo da ousadia sem que se configure o Abuso é o segredo.
Quem se submete se permite ser abusado, agredido e humilhado, mas este abuso é, na verdade, um “pseudo – abuso”, quando obedece ao acordado entre as partes, assim tudo o que extrapola a este limite é realmente abusivo. Esta é a regra.

Muita gente ainda se atém somente à questão física quando se discute o Abuso, embora na parte emocional ocorra a maioria dos casos. Justamente onde são observados os danos mais expressivos. Coisas como a autoestima destruída, depressão e a própria identidade descaracterizada são mais frequentes do possamos imaginar; o problema é que as pessoas vítimas deste tipo de agressão quase sempre não tem a menor noção daquilo por que estão passando. Sofrem sem saber de que, nem o porquê.

A Humilhação, uma das práticas tão comumente utilizada, pode deixar marcas teoricamente invisíveis, mas perceptíveis no convívio cotidiano. Nem todos os que a praticam estão “aptos” a suportar os efeitos residuais, aqueles do tipo ressaca, ou do dia seguinte. O que se vê, depois, são pessoas envergonhadas e traumatizadas a ponto de não conseguirem transpor algumas barreiras criadas e decorrentes da Humilhação sem parâmetros, ou mal executada.




Já ouvi e li relatos de pessoas que não mais conseguiram exibir sua nudez, ainda que parcial; ou então pessoas que criaram um verdadeiro pavor, fobias diversas como à escuridão. Criticar a parte submissa, especialmente as mulheres, por sua estética, de forma massificante, pode ser muito traumatizante. Alguns traumas podem trazer de volta alguns “fantasmas” da infância.
Humilhação não é exercer a injustiça, não é acusar indevidamente, nem inventar fatos e requer certa dose de observação.
Alguém pode imaginar que isso é somente um exercício do exagero, mas há o conhecimento de casos em que a depressão culminou em ações suicidas.




Podemos fazer um rápido paralelo a um fato bem presente no cotidiano (baunilha); o Bullyng.
O massacre de Columbine em 20 de abril de 1999 foi decorrente de que?
E aquele em que o assassino matou 12 alunos em Realengo, Rio de Janeiro?
A Humilhação pode aniquilar com o emocional de uma pessoa tornando-a alguém medrosa, triste e negativa.

Quando conduzida com critério, reviver algumas experiências, mesmo que trumáticas pode ser algo salutar. Enfrentar os fantasmas e medos do passado com a ótica e a compreensão da fase adulta, ou do presente, pode trazer um entendimento que permita erradicar o problema adormecido. A questão é como tudo isso é feito e conduzido, se não sabe, não faça.

Danos físicos e as consequentes cicatrizes são outro exemplo de abuso, mesmo nos casos em que a intenção é apenas o jogo S&M. Certas ações no BDSM requerem não somente algum conhecimento, mas muita prática e autocontrole. Há situações em que a pressão emocional e a carga de adrenalina são tão intensas que pode-se perder o controle sobre as próprias ações, como não perceber que “a mão ficou mais pesada” num Spanking, ou Knife play.

Coisas aparentemente inofensivas como um Spanking, ou Amarrações, tem lá seus segredos e cuidados especiais. Também não vejo com bons olhos a disseminação de coisas tipo Asfixia, há um risco enorme neste tipo de restrição.

Manipular alguém, seja Top, ou botton, é abuso. Há bottons com vários perfis que interagem e manipulam seus Tops. A manipulação com a intenção de explorar financeiramente, o que difere do Money slave, que é algo acordado, também é Abuso.




Ainda no assunto “finanças”, há sim a exploração por parte de bottons, seja em função de envolvimento emocional, ou quando botton é considerado como de extrema valia e dessa forma passa a manipular a relação.




A visão de Abuso em BDSM é uma coisa bem mais abrangente do que a maioria dos praticantes entende, passa pela Ética e pelo Respeito, pela Seriedade com que nos entregamos ao que nos identificamos.
Não é possível prever as consequências de todos os nossos atos, especialmente aqueles aparentemente inofensivos, mas podemos pensar e ter a consciência dos possíveis estragos que podemos causar, ainda que não intencionalmente.

Werther von AY erschaffen

17 de janeiro de 2016

É NA GAIOLA QUE ME SINTO BELA

Me basta

minha gaiola.

Minha gaiola

tão linda...

e mimosa...

minha gaiola

que me faz sorrir.

Minha gaiola

sem porta,

sem ninho,

de onde não quero sair.

Minha gaiola

tão pequenina,

que bela me faz sentir!


{W_[amar yasmine]}

10 de janeiro de 2016

SOBRE SUBMISSÃO


Sobre submissão, um dia eu disse:

A submissão não é apenas um fetiche
Ou um estilo de vida
A submissão é uma religião

E o amor submisso, o que é?

O amor submisso é o amor entregue
Desinteressado pra si mesmo
Ele é paciente e é feliz

Muitas pessoas não entendem. Há quem ria, deboche, há quem duvide... Fazer o quê se assim é o ser humano?

Lendo Paulo de Tarso, em Coríntios 13, encontrei algo que fez meus olhos brilharem e me deu a certeza de que devo permanecer neste pensamento:

4 O amor é sofredor, é benigno; O amor não é invejoso, não se vangloria, não ensoberbece;

5 não se porta inconvenientemente, nao busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;

6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;

7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta;

Assim, imersa no amor submisso, acresço às palavras de Paulo de Tarso apenas mais um pensamento:

Não preciso entender 
aquilo que seu pensamento me ordena, 
preciso apenas obedecer.

Portanto, meu Dono,
irei onde sua vontade determinar que eu vá,
serei aquilo que desejar que eu seja,
esperarei pacientemente
e absolutamente feliz,
pois assim deverá ser o amor submisso.

E pergunto à mim mesma: 

_Por que motivo, confusa criatura Amar Yasmine, escrava do Senhor Werther von AY erschaffen, você pensa, pensa, pensa... perde noites de sono pensando e tantas vezes não pratica aquilo que cuidadosamente concluiu?

E respondo entre lágrimas, envergonhada, de cabeça baixa e olhos no chão:

_Porquê sou humana. 


{W_[amar yasmine]}