28 de dezembro de 2015

PARA 2016


Um dia desses me perguntaram o que vou querer para 2016... A resposta veio rápida:

Para mim, 2016 não será um ano de grandes realizações, será o ano do aprimoramento. Por isso não peço mais do que tenacidade e temperança.

Não peço posses para alimentar sonhos de consumo. Não peço um carro de luxo com painel de nogueira italiana (um sonho antigo)... nem mesmo um carro usado, mais novo do que o meu.

Não quero jóias, nem aquela coleção de perfumes Dior que me faz suspirar, ou a coleção de lingeries Victoria Secret. Não beberei Água Perrier (que adoro), não brindarei com Veuve Cliquot Ponsardin, não comerei caviar e não pisarei em tapetes persas.

Também, não viajarei para conhecer a Baía de Halong (outro sonho), ou São Petersburgo, que prefiro chamar de Leningrado. Nada disso eu pedirei.

Em 2016 minha vida será simples, muito simples, porque é isto que sou, uma mulher simples, embora tenha um radar para coisas especiais.

Serei simples no novo ano e estarei concentrada em me aprimorar. Para isso precisarei de tenacidade e temperança... e, claro, uma pitada de sorte. Quem sabe se assim eu for me transformarei numa boa escrava e farei sorrir o Senhor Werther von AY erschaffen, meu DONO, aquELE que tem a mim, a minha submissão, as minhas dores, os meus gozos e o meu amor.

Este é meu único desejo para 2016: Fazer meu DONO sorrir e dar prazer a ELE.


{W_[amar yasmine]}



12 de dezembro de 2015

A HIPOCRISIA DE CADA UM E O ÔNUS


Todos nós, em algum momento, devemos ter lido aquela célebre e chata definição do que é o BDSM, BDSM é um acrônico... Nada contra conceituar e definir as coisas, mas acontece que esta visão calcada na frieza do empirismo acaba por deixar tudo também frio e distante de uma realidade onde o tesão é a tônica:

BDSM é sexo e tesão em um sentido mais abrangente, 
lato e "turbinado".



Prefiro pensar no BDSM como um conceito, ou uma ideia sobre os fetiches (entenda-se sexo),com a qual, ou com os quais, nos identificamos; claro, cada um a seu modo. A partir de então buscamos parcerias com as quais vivemos os fetiches e mostramos como entendemos a sexualidade.
Dito assim, seria um Nirvana!
Bem disse o Barão de Itararé:

"Este mundo é redondo, mas está ficando chato!"

Chato está porque o ser humano está chato, sem ideias, sem criatividade, sem conteúdo, sem as suas verdades e cada vez mais despersonalizado. Aquelas características que nos fazem, ou faziam, únicos estão sendo colocadas num segundo plano em detrimento de uma pasteurização de comportamentos que quase padroniza as pessoas.



Está ficando chato pela Ignorância, pelo Não Respeito, pelo Preconceito. Há também o que chamo de "preconceito autóctone", de si pra si e nascido em si. Alguém poderia achar que seria "auto", em vez de autóctone. Não é.
O BDSM, às vezes representado na imagem de um imenso guarda chuva, é, em sua essência, Inclusivo, e Abrangente, mas a realidade tem se mostrado bem diferente. Para que seja desta forma é necessário que, primeiro nos façamos Inclusivos.

Por que há, ainda, pouquíssimos BDSMers portadores de deficiência física?
Será que estas pessoas sentem algum pré julgamento por sua deficiência em detrimento da sua capacidade em exercer o que se propõem?
Isto também é "pré conceito".
Não se trata de ser dono da verdade, mas todos nós temos as nossas certezas e valores, as nossas verdades; nega-las  é negar a si, ser hipócrita, ainda pior é ser assim consigo (será isso possível?).
Parece com aquela música de Vinícius de Moraes, "O canto de Ossanha", com todo respeito à crença religiosa:

O homem que diz"dou"
Não "dá"!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não "vai"!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou...

Está mais perdido do que barata em galinheiro!
Assumir uma imagem, aquele falso eu projetado, e não me refiro a nicks, ou avatares, é negar o EU verdadeiro. Um nick esconde um nome e não uma personalidade.
A personalidade que diz e mostra quem realmente somos, o que fazemos e o que procuramos em termo de Sexualidade.



Tops, bissexuais, bottons, sádicos, heterossexuais, masoquistas, transsexuais, switchers, hedonistas, pansexuais, brats, trashs, putos... etc.
Se esta autenticidade fosse um fato, certamente teríamos um BDSM em um contexto bem diferente; mais consistente, dinâmico e até mais sério.
A seriedade e o respeito de qualquer grupo é função da seriedade e do respeito que os seus participantes conferem ao grupo.



Existem pessoas sérias à busca daquela parceria ideal, mas esbarram na falta de visibilidade por que, do outro lado, há muita gente que não se mostra, ou o faz de forma tão velada que simplesmente não aparecem. Tudo isso me parece um grande paradoxo, afinal por que motivos entramos nessa coisa de dar vida e vazão aos fetiches?
Quanto do ranço baunilha ainda há em cada um?

Auto crítica, entender a si é fundamental para terminar com uma empáfia que normalmente não se percebe, mas existe, é ranço, é ruim e não se enquadra neste contexto.

BDSM é, acima de tudo, a Liberdade de expressar e viver o que somos.




By
Werther von AY erschaffen

4 de dezembro de 2015

O SEGREDO DA CHAVE


Já houve quem entrasse apenas por encontrar a porta aberta. 
Houve também quem batesse a campainha pedindo para entrar... 
E até quem forçasse a porta para entrar à minha revelia... 



Nenhum destes conseguiu ficar, no entanto, 
pois lhes faltava o essencial, 
a magia de uma chave sem a qual tudo lhes pareceria frio e inóspito.

Mas, só um, só o Senhor 
Werther von AY erschaffen 
descobriu o segredo da chave.


E o encontrou num lugar simples e óbvio... 
debaixo do tapete na soleira da porta da frente, 
em um envelope com a inscrição:

A chave que não pode ser vista, 
nem tocada... 
tem três dentes 
e está em ti. 
Encante-me e será bem-vindo.


Ele apenas disse:

Cumplicidade, 

Comprometimento 

e Respeito.


Então a porta 
de modo todo aconchegante 
se abriu...


26 de novembro de 2015

BDSM, BONSAI E A SUTILEZA DO PODER

Queridos amigos, a pedido do meu 

Amado Senhor Werther von AY erschaffen

viajando a trabalho, publico aqui para vocês 

um texto onde Ele faz uma feliz comparação entre 

BDSM e Bonsai.


{W_[amar yasmine]}



Embora a palavra ‘Bonsai’ seja japonesa, a arte que ela descreve tem origem no império chinês. Por volta do ano 700 a.C. os chineses iniciaram na arte do "pun-sai", usando técnicas especiais para cultivar árvores anãs em bandejas.

Por meio de podas programadas, controle da luz e da umidade, e elementos como o arame, descobriram ser possível não apenas diminuir, como dar a forma desejada a estas diminutas árvores.
Então, não há uma espécie originalmente Bonsai, tratam-se de plantas normais que foram modificadas.

Apesar de ser considerada por muitos como uma violência, por não ser consensual, a arte do Bonsai guarda certa similaridade com o BDSM no tocante ao moldar.

Moldamos e modificamos pessoas e seus hábitos, estilo de vida etc. Tudo o que envolve o D/s, a construção da personagem submissa e seu desenvolvimento, a  liturgia a ser assimilada e praticada...  a parte submissa é, na verdade, um Bonsai humano, e caberá somente a quem domina ditar como, onde e quando crescerá.

E haverá sempre mudanças e redirecionamentos; uma poda será uma restrição e a rega, um prêmio.
Assim como o arame mantém a direção dos galhos do Bonsai, as diretrizes do Dono orientam e fazem com que a submissa se adapte aos seus desejos. Que seja santa, menina, puta, mulher...


Que braços, pernas e sexo se abram como uma flor, que a alma e tudo mais seja ofertado pelo simples encanto que há no D/s e em pertencer a quem perverte princípios, valores e expectativas. Pertencer a quem dá sentido à vida, recriando a vida.


O Bonsai bem cuidado e bem feito tem nas folhas o viço, um tronco forte e flores delicadas assim como a escrava bem moldada e cuidada tem o viço da pele e um brilho de tesão no olhar, nas mãos um toque de seda e um perfume de sensualidade.

Ele harmoniza e embeleza o ambiente como a escrava harmoniza a quem pertence e embeleza-lhe a imagem, por vezes, a vida.

Tenho um Bonsai muito delicado que tem me proporcionado muitas alegrias e realizações. Meu Bonsai chama-se {W_[amar yasmine]}. Moldar seus galhos, cuidar e reger sua vida tem sido algo indescritível. Minha plantinha agradece e se entrega em minhas mãos.



Werther von AY erschaffen

20 de novembro de 2015

20 DE NOVEMBRO - PARABÉNS PRA MIM!



Eu me sentia perdida até SUA chegada em 20 de Setembro a Belo Horizonte. Éramos amigos há mais de 10 anos... quase como irmãos... gêmeos.... E eu brincava comigo ao descobrir mais alguma característica comum entre nós:

"Gêmeos - Mórbida Semelhança". Pensava isto inspirada no filme de mesmo nome, do diretor David Cronnemberg. E ria inocentemente, sem suspeitar no que estava reservado para mim.

Andava tão frágil e doída que me fiz pequenina assim que Ele chegou por trás, me agarrou com força, enrolou meus cabelos em suas mãos, puxou minha cabeça para trás e, com voz grave, rouca e deliciosamente morna, sussurrou em meus
ouvidos:

_Aonde você vai, Amar Yasmine?

Até então eu não sabia onde ir... andava a esmo. Entretanto, naquele momento, ao sentir o desejo dELE de ter a mim, pensei em como pude viver toda uma vida sem sequer imaginar que finalmente encontrara meu lugar no mundo.

_Aonde você vai, Amar Yasmine?

Um turbilhão de emoções tomou conta de mim. Nada pude responder... mas, meu corpo respondeu, no imediato abaixar da cabeça, no colar os olhos no chão e no entregar, por inteiro e definitivamente, meu destino em SUAS mãos.

Hoje fazem dois meses que estou a SEUS serviços. Obrigada, meu Senhor Werther von AY erschaffen, por me fazer SUA. Que eu cumpra meu destino com dignidade e seja para o Senhor a escrava que espera que eu seja e que me dedicarei a ser.

Com todo amor e submissão!


{W_[amar yasmine]}
*sorrindo feliz*

17 de novembro de 2015

A NOITE


A noite se estende sobre meu corpo

A imaginar que sou feita de plumas.

Eu digo que não venha pois,

Quando muito, sou um monte de espinhos..

Quiçá raízes, folhas, cipós, galhos secos.

Eu penso que seu desejo

É tão somente descansar

Mas, ela vem e se aconchega lânguida.

Deita atrás de mim e me prende em seus braços,

Suas pernas me enlaçam a cintura,

Seu sexo me invade as entranhas...

E ela se faz de pura volúpia

Até que extenuada e liquefeita

Boceja, adormece e

Sossega dentro de mim.

E eu, lá, imóvel, sem sequer respirar,

Até que o dia amanheça

Pra não interromper seu sono...

Pois a noite também precisa descansar!







14 de novembro de 2015

POR FALAR EM SUBMISSÃO



Quando recebo atualizações das meninas escravas e/ou submissas que estão no meu perfil do Facebook e leio suas declarações de submissão, feitas a seus Donos com tanto carinho, meu coração fica aquecido. E eu tenho uma vontade danada de abraçá-las e de dizer que desejo, a cada uma, além de muita saúde e paz, tenham um infinito de amor e prazer ao servir. Espero, sinceramente vê-las felizes e realizadas em sua submissão/servidão.

As que estão iniciando, deixo aqui um aconselhamento. Não que eu saiba mais do que qualquer uma. Não, não é isto. É que há coisas que preciso repetir e repetir, se possível até em voz alta, porque servem de lição sobretudo a mim mesma. Como são úteis a mim, espero que também sejam a todas as meninas que, como eu, se encantam em ser escravas/submissas:

Não tenham medo, entreguem-se plenamente. Dediquem-se, aprimorem-se. Sejam solícitas, estejam sempre à disposição, SEM SUFOCAR.

Não se acanhem ao suplicar... Implorem, curvem-se até o chão. Rastejem não apenas fisicamente, porque isto é fácil, mas sinceramente de alma.

Se um dia alguém criticá-las, se as chamarem de fracas ou tolas por serem submissas, não se incomodem. Tenham em mente que o verdadeiro amor exige despojamento, convicção, coragem, determinação, força e, ao mesmo tempo, humildade. Nenhuma de nós é tola ou fraca.

Sintam ciúmes sim e não se envergonhem ao senti-los. Contudo, jamais reclamem, jamais os expressem, a não ser de uma forma leve, rápida, um piscar de olhos, apenas o tempo necessário para acariciarem o coração e a alma de seus Donos.

Deixem claro quão preciosos e insubstituíveis Eles são, que a vida não terá sentido sem Eles e que tudo que lhes der prazer vocês farão sorrindo de corpo e alma, mesmo que seja colocar a seus pés uma jovem e bela mulher, se isto for de seu agrado.

Aquelas que me leem neste instante, desejo que trabalhem firmes para servir com excelência. Que fiquem atentas pois há uma linha frágil que separa o momento de se adiantar e surpreender, para o momento de estarem quietas, cabeça e olhos baixos apenas aguardando o comando. Os dois lados desta linha são absolutamente necessários.

Esperem... Esperem... Esperem... Esperem. Aprimorem-se em esperar, com delicadeza, com doçura, com serenidade, com temperança, que esperar é um dos principais verbos de uma escrava.

Se submetam na totalidade e se permitam ser felizes na subserviência.

Confiem. Sem confiança não haverá obediência cega, nem entrega verdadeira.

Por fim, nunca se esqueçam: Não há submissão ou servidão pela metade. Assim como não há boas ou más escravas e/ou submissas. Ou somos, ou não somos.


{{{{abraço apertadinho}}}}
beijo imenso e carinhoso!



{W_[amar yasmine]}

8 de novembro de 2015

INTERPRETANDO MARCAS




É difícil, e talvez seja mesmo impossível, pensar em BDSM sem qualquer alusão às marcas; pois um sempre nos remete às outras. Elas não são apenas meros efeitos de um spanking, ou qualquer outra prática de impacto em uma sessão, elas têm uma conotação muito significativa neste nosso universo.

Uma sessão é muito mais do que momentos em que as duas partes do D/s se encontram em ação. Assim, todo um processo que antecede ao encontro, ou seja, de planejamento e execução, ou como e o que fazer na sessão, além do que se passa na mente da parte submissa, como uma preparação psicológica, a ansiedade, a tensão da dúvida pelo inusitado, e depois os toques, os tremores, o tesão, ..., e as dores; tudo isso faz parte da sessão.
Tudo isso e mais alguma coisa, pois tudo fica marcado não apenas no corpo, mas principalmente na mente.

Toda sessão tem seus efeitos imediatos e aqueles que advêm de alguma reflexão posterior. Num sentido holístico, as marcas representam todo este processo que se inicia no ato de pensar a sessão, na sua execução e também nas impressões e deduções que desta resultarão. Daí por diante, tudo mais o que acontecer, até o momento em que finalmente a mente submissa sossega e deixa de pensar no acontecido, é por elas (as marcas) representado.

Não há somente o aspecto físico quando aludimos às marcas, mas um igualmente, ou mais importante, componente emocional. A lembrança visual das marcas no corpo sempre trarão à tona as marcas da mente, da emoção, sejam leves, ou severas, independentemente do modo como foram feitas. Justamente na seara da emoção, e sua consequente subjetividade, é que as marcas pesam sempre pelo que representam, e não pelo tamanho, ou pelo tempo que permaneçam visíveis. Uma marca leve e “perecível” pode representar muito mais do que fortes hematomas.

Marcas são importantes tanto a quem faz, como a quem recebe, por sua intensidade. A intensidade dos momentos que representam e das lembranças a que nos remetem.
Em minha opinião, lembranças que significam uma nova fase, ou novo começo, como a primeira que fiz em minha escrava, Amar Yasmine (agora devidamente registrada), que consideramos como sua primeira e definitiva coleira.



30 de outubro de 2015

JOGOS DE SEDUÇÃO E PODER





A sedução é a mais forte e a mais subliminar forma de poder que temos; é justamente nesta subliminaridade que reside o poder da sedução.

Tudo o que seduz é ou tem poder



A sedução altera, muda, influencia ou perverte sem que o seduzido perceba. Porém, nem toda forma de poder, e os atos que dela decorrem, advêm da sedução.
Seduzir é convencer, persuadir, induzir alguém a agir, ou pensar de forma diferente da que normalmente faz, alterando suas crenças, verdades ou paradigmas (perverter).
Ainda que muita gente entenda a sedução apenas no plano amoroso/sexual, toda forma de relação interpessoal é um campo propício para que tal aconteça.

Quando discutimos um assunto qualquer, e ideias contraditórias são colocadas (futebol, moda, SSC x RACK...), temos um confronto de opiniões, onde cada participante tenta seduzir os demais às suas ideias ou convicções.
Em nosso cotidiano estamos sempre seduzindo alguém à alguma coisa. O problema é que pensamos sempre em “convencer” em detrimento do seduzir.

Seduzir é o meio, convencer é o fim. Seduzo para convencer, e não o contrário.
Há ainda outra questão entre convencer e seduzir. Ainda que o objetivo, lá no fim, seja único, podemos alcançá-lo por caminhos diferentes.
Há o convencimento sem sedução, mas quem seduz (focado num propósito) sempre convence. Posso convencer alguém pela insistência (cansaço) e até por meio da força; ou seja, sem seduzir.

Em qualquer relação onde há uma hierarquia, a própria verticalização de níveis de poder é um fator de convencimento ou facilitador deste. Se aceita, dentre outros motivos, pela ascensão inerente à hierarquia.

Seduzir é diferente. Seduzir é a arte do engodo, da artimanha, do ardil. É fazer com que acreditem na nossa verdade, vencer as resistências a determinada ideia ou comportamento.

Seduzir é como jogar xadrez; ofereço-te a vantagem de uma torre e depois pego tua rainha. Faço-te gostar e desejar o que antes consideravas ruim, fora de propósito ou até abominável.

Seduzir é o convencimento pela astúcia e inteligência



O sedutor não impõe, mas faz com que o seduzido queira, deseje e “imponha a si mesmo” recusando o princípio da sua realidade, em favor de uma aposta no devaneio que lhe é proposto.

Pensar BDSM sem estas coisas é um tanto esquisito, principalmente na ótica D/s. Há Dommes e Dons com um incrível poder de seduzir a quem cruze seus caminhos, suas potenciais “vitimas”. Entendo esta característica como condição “sine qua non” para, pelo menos, admirar alguém na condição Top.
A relação sedutor/seduzido é algo extremamente prazeroso. Um jogo de estratégias onde as armas são as mentes dos envolvidos.

Normalmente quem seduz tem ciência do que faz, mas o outro lado nem sempre percebe de imediato. Porém quando ambos têm a percepção desta ação, temos um embate que transcende até mesmo a lógica.
Há um sentimento sádico e masoquista que incita sedutor e seduzido respectivamente. Ambos se tornam reféns da perversão e da morbidez.

Ao sedutor interessa o poder, por isso seduz. O seduzido resiste à ação do primeiro e, desta forma, abandona a passividade inicial tornando-se, ainda que não percebendo, também sedutor.
A sedução iguala os dois lados.
Não mais há sedutor ou seduzido, e ambos se permitem à sedução da SEDUÇÃO.

Escravos da Sedução



Neste jogo ambos perdem a autenticidade e sabem que o oponente é também inautêntico.

Somente seres "metamorfoseados" se entregam à sedução.
É, portanto, um jogo onde a hipocrisia é fundamental!

A sedução não é privilégio de Tops ou submissos, mas sim de seres inteligentes, manipuladores, maquiavélicos. Reais dominadores independentemente do papel assumido no BDSM.
Normalmente vemos Tops exercendo a sedução sobre suas peças, mas não é raro haver situações em que se invertem os papéis. Afirmo hipocritamente sem duplo sentido.
Não vejo, contudo, demérito em tal situação. Afinal a inteligência é como a sombra. O sol nasce para todos, mas a sombra...

Ao sedutor resta, em tese, o gozo da intenção concretizada ou uma possível nova realidade.
Ao seduzido, o gozo da entrega, ou um sabor diferente...
O regozijo, um direito de todos.