3 de fevereiro de 2017

ENTREGA, SUBMISSAS (OS) E RÓTULOS...

Entrega
Para muita gente este ato, tão corriqueiramente aludido no BDSM e, por vezes motivo de polêmica, encerra somente e erradamente a ideia de curvar-se e aquiescer às vontades e desígnios de outra pessoa no âmbito de uma “passividade”. Justamente por ser entendida, ou confundida com a passividade, a entrega é um fato frequentemente mal entendido. Entrega é atitude.
Pior do que isto, deste mal entendido, é quando não ha á percepção do que acontece. É o mesmo que dar pérolas aos porcos!
Se não houver um mínimo de empatia, se você não entender o “outro lado”, o barco afunda e aí o comandante se fode.
A Entrega é acima de tudo a resultante do desejo, da vontade (ação) de submeter-se, servir, ou de pertencer a alguém, mas somente isso não configura entrega. A entrega real só acontece quando há passionalidade. Por que não há Dom, ou Domme, com o poder de fazer isso acontecer exclusivamente por sua vontade. Este tipo de Dominante, o popular fodão, só existe nas páginas, ou nos filmes de romances e ficção.
Submissas (os) tem personalidade!
A Entrega é sempre consciente, não importando a forma como seja representada, afinal o BDSM não é para pessoas sem noção.
Submissas (os) são pessoas dignas de todo o respeito, não apenas daqueles a quem pertencem, mas de toda a comunidade BDSM. Submissas (os) obedecem, mas também pensam, agem e reagem, desobedecem, insinuam e manipulam. Isto não inviabiliza a entrega e faz parte do que é ser humano. 
Não existe uma receita, ou fórmula para a (o) submissa (o) perfeita (o), se assim fosse, não haveria o menor sentido na Dominação.
Por que se fossem como inertes bonecos, que você põe num canto e nada fazem, a relação resumir-se-ia somente à ação e consequentemente a um exercício de loucura. Em alguns casos, já vi muitos, se o Dom, ou a Domme, bobear... vira marionete!



BDSM é como jogar Xadrez: É para quem pensa!
Aí está a graça de tudo, este é o jogo. Sempre foi assim independentemente de qualquer denominação, ou rótulo, pois o que caracteriza a submissão de cada um é o seu, comportamento, a sua personalidade, e não qualquer nome, ou tipo que se possa atribuir.
Nem sempre quem se diz é o que verbaliza, mas quem é, ainda que nada fale, sempre será reconhecido. A vaidade às vezes cega.





Werther von AY erschaffen

7 de janeiro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA MATURIDADE

Grande parte das pessoas associa maturidade com a idade adulta e isso nem sempre é verdadeiro; justamente por este motivo é que não entendo o BDSM simplesmente como um “jogo”, mesmo um jogo para pessoas adultas. BDSM é uma atividade (e não gosto da expressão jogo) para pessoas maduras, por envolver ligações muito mais complexas do que mandar, foder, amarrar, ou bater. O BDSM transcende o físico e o emocional, BDSM é energia com sinergia.


Ser maduro não significa crescer e tornar-se adulto, porque a maturidade não necessariamente caminha par e passo com a cronologia da vida. O maduro é consequência, é a evolução do adulto.

Maturidade não é mérito, assim com a sua falta não sinonimize o demérito. É uma condição que decorre de experiências, observações e reflexões que acumulamos ao longo da vida, portanto, demanda tempo para que chegue ao seu Tempo. Ser maduro é ter a inteligência e domínio sobre as emoções, é saber lidar com o sucesso e com as inevitáveis frustrações e contrariedades da vida.

Um exemplo bem conhecido e aplicado de Maturidade no campo emocional é a tão falada Inteligência Emocional que a tantos adultos inteligentes enrola e derruba quando aspiram uma colocação no mercado de trabalho.

Maturidade é ter a consciência nua e crua do Eu, do que se é realmente e, a partir daí analisar e definir o que se quer e como se quer. É ser honesto consigo.
Isso permite ter uma noção muito mais clara virtudes, das falhas e, também das responsabilidades que temos quando nos relacionamos com alguém. Só então é possível decidir novos rumos, realizar as escolhas certas e talvez definitivas.

Falo por mim.
Se tenho a real noção dos meus Fetiches (riscos e responsabilidades), que rotulo como a minha insanidade sã; então posso procurar alguém com um perfil que se encaixe ao meu. Assim o digo porque imagino como relação ideal aquela em que as partes são como peças de um quebra cabeças, o encaixe é perfeito, sem tirar nem por.


Depois de vagar um bocado nos caminhos e descaminhos do BDSM finalmente encontrei em Amar Yasmine a total correspondência e reciprocidade às minhas expectativas e visão de um D/s litúrgico, onde a entrega é total, uma relação D/s repleta de perigos, magia e sensualidade.
Era a peça que faltava!



SENHOR WERTHER VON AY ERSCHAFFEN 

3 de janeiro de 2017

OS 50 TONS DE COISAS RUINS.


Um tema que tornou-se recorrente, não somente no Facebook, como em todos os espaços das redes sociais, voltados ao BDSM, é a questão do livro e posterior filme “Os 50 tons de cinza”. Particularmente tenho lá as minhas reservas à obra, mas respeito, por entender ser, também, um exercício da liberdade de opinião de quem escreveu.

Opinião e bunda, cada um tem a sua...

Independentemente do livro, há também, de minha parte um silencioso protesto contra a exposição e disseminação excessivas do BDSM, por entender que mostra-se, muitas vezes, justamente o que grande parte da sociedade critica. A esmagadora maioria das citações ao BDSM, na mídia, tem caráter sensacionalista, um apelo puramente focado na violência e no sexo, ou então no noticiário policial.
BDSM não é pornografia!

Assim jamais será possível sonhar com a retirada das quatro letrinhas da lista de anomalias do CID 10!!!

Não acho que mostrar o BDSM, pelo menos da forma com se faz atualmente, e novamente aludo ao livro, encoraje e faça qualquer BDSMer “enrustido” a sair do armário. Que armário!?

Cada um tem lá o seu tempo de refletir e amadurecer suas ideias; não é um livro que vai trazer a lucidez para tal.

O fato de alguém assumir e praticar o BDSM, não significa que tenha que sair alardeando aos quatro cantos do mundo esta sua preferência.

Toda esta parafernália para “mostrar” o BDSM, vem causando, há bastante tempo uma cisão entre os adeptos. Criaram-se então, verdadeiros nichos de pessoas avessas à participação desde as saudosas listas, ao Facebook e congêneres.

Pessoas que desejam um BDSM “hermético”, sem a presença de especuladores, ou de quem quer apenas um sexo diferente, sem os curiosos, ou de quem ainda não se definiu entre o ser e o não ser.

Infelizmente, nas redes sociais, não é possível evitar coisas do tipo as mensagens de alguns babacas em que se vê uma bunda, ou um pênis, como se pudessem exprimir alguma coisa, ou pseudos Dons se insinuando para escravas encoleiradas, etc.

É justamente por conta dessa bagunça, dessa invasão de pessoas que nada tem a ver com o BDSM, pois falta-lhes seriedade, que permaneço fiel à premissa de que o BDSM não deve ser tão “democratizado” com tem acontecido.

Até quando conseguiremos não fugir para um nicho!?


                                                     Werther von AY erschaffen

15 de dezembro de 2016

O INIMAGINÁVEL TEATRO NOSSO DE TODOS OS DIAS

Sabe aqueles dias em que tudo dá errado e ainda assim, quando encontra algum conhecido que pergunta como estão as coisas, você simplesmente diz um tudo bem?
Tudo bem uma ova!
Como explicar isso? Esquecimento, um ato impensado, exercício de otimismo extremo, ou mera teatralização? São as “quase mentiras” que proferimos quase todo dia, sem ter a noção do ato. Por isso é que prefiro pensar, não em mentira, mas em representar.
Representamos com uma frequência e uma facilidade inimaginável; faz parte de ser e do ser humano.
Somos portanto, os invisíveis atores e atrizes do cotidiano, embora não nos reconheçamos como tal.
Reportei-me a isto apenas com o intuito de aludir à naturalidade com que fazemos tantas outras coisas e de forma quase despercebida, como se fosse algo meramente instintivo, mais ou menos como um tique nervoso, aquelas coisas que a gente faz sem pensar. É o que acontece quando “saímos” do nosso dia a dia baunilha para adentrarmos no BDSM.


A cada vez em que nos voltamos a vivenciar os nossos fetiches, especialmente o BDSM, é como se adentrássemos à outra realidade e abríssemos as cortinas de um Teatro para participar de uma grande peça.
A fronteira entre realidade e fantasia deste Teatro é tão tênue, estamos tão acostumados a entrar e sair de cada um destes nossos mundos, que o fazemos com a maior naturalidade, talvez pela ênfase com que nos entregamos ao sacrossanto e profano (será isto possível?) ofício de ser BDSM. Alguém deixa de ser Fulano(a) para ser Dom(me), enquanto outro(s) (as) artista(s) assume(m) o papel de botton(s). Crise de identidades?
Acho que esta é uma característica do “ser BDSM”, bem diferente do dizer-se BDSM; porém, entendo a ambas como uma “Necessidade”. Somos os protagonistas e a claque de uma apresentação em que mesclamos realidade e fantasia.


Somos alquimistas da mente, buscamos e forçamos emoções e reações as mais diversas, buscamos e conduzimos ao êxtase e às lágrimas, passando por tortuosos caminhos de catarse, dor e prazer intensos. Revelações, Tragédia e Comédia.
Paradoxalmente, nesta fantasia a dor é real, assim como as marcas. O sangue não é cinematográfico e as Emoções são palpáveis.
Num palco onde o Figurino é a nudez, a maquiagem são as marcas, a sonoplastia resume-se aos gritos e gemidos de dor e prazer, e na iluminação das velas, representamos nossas Liturgias e nos revelamos em expressões inimagináveis.
Representamos apenas para mostrar nossa verdadeira Realidade, trazendo à tona o que há no íntimo, a nossa essência e aquilo que realmente somos, mas que deixamos guardado, em detrimento da vida baunilha. Então, deixo uma reflexão – representamos no dia a dia, quando vivenciamos nosso lado baunilha, (digamos “Iluminado”), ou quando deixamos nosso lado Sombrio emergir?


Impossível negar que temos ambos os lados, assim como impossível é viver apenas um, mas em qual deles estão os nossos verdadeiros instintos? Quando e onde somos realmente autênticos? Quando somos apenas essência?
Isto independe do tempo em que somos um, ou outro; a questão é onde nos encontramos, onde nos reconhecemos e nos identificamos.
O que fazemos é simplesmente uma forma de buscar, ainda que, de forma inconsciente, o tão almejado Equilíbrio.

Loucura não é viver suas fantasias, 
mas sim ignorar o quão elas são necessárias.


WERTHER VON AY ERSCHAFFEN

1 de dezembro de 2016

UM DIA EM MINHA VIDA DE ESCRAVA/SUBMISSA

Apenas um, porque os outros
devem ter sempre algo diferente
que é pra não cair na rotina


01 - Acordar de manhãzinha antes do DONO, sugá-lo mansamente, sem sobressaltos em seu sono, permanecendo assim até despertá-lo sorrindo. E tremer alegre ao ter permissão de receber sua chuva, caindo em gotas douradas em minha boca, para depois, saborear seu gozo matinal como orvalho a me banhar.

02 - Preparar seu banho com carinho, escolher suas roupas com bom gosto, separar o que é preciso para seu trabalho, enquanto ELE descansa na cama. Lembrar de colocar um bilhete carinhoso em seu bolso, dizendo de meu encanto com sua força, seu comando e domínio, do tanto que me honra ser sua serva e nada mais.

03 - Preparar seu desjejum com alimentos saudáveis para manter sua forma e saúde, colocar junto dELE o jornal preferido e, ao me despedir à porta, transmitir, em meu aceno, o desejo de um dia produtivo, deixando que todas as minhas energias positivas sejam levadas por ELE para o trabalho.

 04 - Depois que ELE se for, ajoelhar e rezar, pedindo ao Criador que O proteja de toda maldade e inveja, e mantenha acesa sua chama de justiça e solidariedade humana. Depois, arrumar sua casa, suas roupas, engraxar seus sapatos, preparar sua comida, deixar tudo cheiroso e muito limpo para sua volta.

05 - Sair para pagar suas contas, comprar o que ELE precisa, resolver tudo que estiver pendente, fazer o que for preciso para evitar que ELE se preocupe e perca seu tempo com coisas pequenas. Na rua, fotografar cuidadosamente alguma mulher que possa lhe agradar e arranjar uma maneira de conversar com ela, para ter como encontrá-la depois, se for da sua vontade.

 06 - Ir para o trabalho pensando em meu aprimoramento profissional, como complemento de meu desenvolvimento intelectual, para compartilhar de sua inteligência. Não deixar de procurar um filme interessante, comprar um novo CD, passar na livraria para saber dos últimos lançamentos e comprar uma revista com mulheres lindas, a última edição daquela revista de esportes que ELE adora e aquele jogo novo que está fazendo sucesso e que ELE ainda não teve tempo pra conhecer.

 07 - Voltar para casa, descansar, ler jornais e revistas para ficar bem informada. Tomar um banho relaxante e me preparar com antecedência para sua chegada. Dar os últimos retoques no jantar e esperá-lo, coração batendo forte, pulsando mais a cada minuto que me aproxima do seu retornar. E, ali, subserviente e nua, de joelhos, sorriso doce nos lábios, olhos baixos, brilhantes de emoção, recebê-lO e mais uma vez me doar.

08 - Descalçar seus sapatos, beijar e massagear seus pés, tirar suas roupas, banhá-lO com minha língua, refrescá-lO. Depois lavar seu corpo, cuidar dos seus cabelos, vesti-lO com sua roupa íntima preferida, e ficar ouvindo atenta ao que ELE tem pra me contar. Aquietar-me e fazer do meu silêncio o bálsamo para sua leitura, pois sei, que ELE gosta de ler durante o jantar.

09 - Esperar que ELE queira meus carinhos e cobri-lO com todos que tenho para dar. Ser criativa, me insinuar. Buscar em seu olhar se me quer mais atrevida, ou mais submissa... Se mais delicada, ou uma mundana. Satisfazer todos os seus desejos, dos mais ternos aos mais perversos. Ser seu tapete, sua almofada, sua mesa, seu cinzeiro. Ser sua cadela de estimação, buscar a bolinha quantas vezes ELE jogue, pegar suas coisas e trazê-las nos dentes.

10 - Finalmente, entregar meu corpo, para que ELE use a seu bel prazer, oferecer meus cabelos para que ELE os puxe como rédeas ao me cavalgar. Oferecer minha carne para que ELE maltrate com todo seu sadismo. Contar e agradecer todas as suas torturas e me orgulhar das marcas em mim deixadas. Delirar de tesão quando ELE entrar em mim dilacerando-me com perversidade. Receber sua seiva quente em meu rosto, boca e em todas as partes do meu corpo e gozar desesperadamente, quando ELE ordenar, chamando-O de "meu DONO e SENHOR!".

 Assim, ao final do dia, quando ELE dormir tranquilo e em paz, zelar por seu sono e agradecer ao Criador por ser a mulher mais feliz de todos os tempos e de todo o universo. Também por ali estar e só por um dia tê-lO encontrado.

Bom lembrar que este comportamento poderá ser mudado inteiramente, de uma hora para outra, segundo sua vontade. As regras são dELE. A mim cabe apenas obedecer e realizar seus desejos, porque meu objetivo e meu prazer são, tão-somente, sabê-lO feliz.


Amar Yasmine do SENHOR WERTHER  


14 de novembro de 2016

IRMÃS DE COLEIRA

A Arte da Convivência

Uma submissa está entrando em uma senzala 
onde já existe outra sub há algum tempo. 

O que deverá acontecer daqui pra frente?



No BDSM desde setembro de 1998 e posso me considerar uma escrava afortunada. Tive relações intensas, que me ensinaram muito e contribuíram tanto para meu desenvolvimento como submissa, quanto para meu crescimento pessoal. Terminaram porque tudo tem começo, meio e fim, nada é eterno. Mas foram calcadas no respeito, na confiança e na ética. A prova disso são os laços de afeto que prosseguiram.

Seria hipócrita se dissesse aqui que não gostei de ser presenteada com exclusividade em algumas dessas relações. Gostei, claro, como toda submissa gosta. Me senti honrada em minha entrega e servidão. Mas, sempre recebi de alma, coração e braços abertos as irmãs de coleira que tive. Foi um privilégio o convívio sereno e delicado durante a relação. Maior privilégio ainda os sentimentos que tiveram continuidade após findarem as relações.

Estou certa que a postura do Dono é de suma importância. Em suas mãos está a responsabilidade pelo clima de harmonia, ou de competitividade. Já presenciei Dominadores que fazem questão de atiçar suas submissas umas contra as outras, a fim de assistir crises de ciúmes entre elas... Mas, quem sou eu para censurar. 

No entanto, a responsabilidade não está apenas nas mãos de quem Domina. As submissas, tanto a que chega, quanto a que já está, têm de ser éticas acima de tudo. É fundamental uma postura de carinho e despojamento entre ambas.

Se uma deve ser aconchegante para que a outra não se sinta invasora ou "fora de lugar". A que chega, por sua vez deve ter além de tudo: tato, delicadeza, respeito para com os sentimentos ali já existentes e desenvolvidos ao longo do tempo da relação. 

Boa vontade e bom senso deverão reinar entre as duas, para que juntas trabalhem em paz, focadas no objetivo comum de ampliar a obediência, a quebra de barreiras, a expansão de limites, a entrega e a submissão ao Dono. 

Se a ética não estiver presente, haverá competitividade (coisa feia de pessoas inseguras). Aí, por maior que sejam os cuidados do Dono, os conflitos acontecerão. 
A irmã que recebe uma nova deve segurar a língua e não exibir as palavras bonitas que escuta do Dono, os mimos que já recebeu, muito menos descrever o prazer que ele tem ao tortura-la. Evitar expor a relação, cuidar para que a outra não sofra e muito menos inveje. Somos seres humanos, não podemos nos esquecer disso em momento algum. Infelizmente, nossos sentimentos muitas vezes ainda são pequenos, como a inveja e o despeito. 

Assim também, a nova irmã deve se abster de contar os jogos de sedução em que foi envolvida para ali estar. Já vi submissas que estão chegando fazerem grande alarde sobre os momentos da conquista. Ora, sabemos que tem mais ciúmes quem já está na relação. Erroneamente, tanto quem chega, quanto quem já está, pensa que se o Dono buscou a outra submissa deverá ser por estar se sentindo insatisfeito. Ledo engano... No mundo SM, ou no baunilha, ter mais de uma mulher ao mesmo tempo povoa o imaginário dos homens. Então, já que é assim, para que despertar a insegurança? Qual é o benefício que há em ser feliz sobre a infelicidade da outra? 

Será sempre muito útil que uma se coloque no lugar da outra para evitar confrontos. O que não queremos para nós, não devemos dar a ninguém. Também, deixar lá fora as vaidades e o orgulho, os dois são desnecessários numa senzala.

Por fim, com todo este cuidado, com toda esta delicadeza, o presente será um dia ouvir do Dono: "Sou um Homem realizado e feliz, tenho escravas que se respeitam, se amam e tudo fazem para o meu prazer."



O texto acima foi escrito por mim, Amar Yasmine do SENHOR WERTHER, e publicado inicialmente na Comunidade "Confraria das Cadelas"/Orkut/2009". Posteriormente foi publicado em várias páginas, incluindo o blog:  *escravas & submissas*  






30 de outubro de 2016

O PODER DA DOR

Segundo a ciência, Dor é uma experiência sensorial produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis a esses estímulos, ou emocional, desagradável e associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano.

Na ótica BDSM a dor é muito diferente e muito mais do que isto. E justamente isso é que é difícil de passar a quem não curte Dor (não importa o modo), principalmente a quem não é BDSM.
Por uma questão de desconhecimento e de preconceito (conceituar sem conhecer), a maioria das pessoas compara Dor à fraqueza e sofrimento. A Dor é entendida somente como algo ruim, algo a ser evitado. Será mesmo assim?


Dor é sentir o toque e os efeitos do poder consubstanciado e materializado como fonte de prazer. Poder este que é doce e inebriante.
Dor é um afago, pode ser atenção, carícia, é interação; a Dor nada tem de desagradável aos olhos, ou melhor, aos corpos de quem se permite conhecê-la em nuances outras e então, aprecia. Não somente os considerados masoquistas puros, mas também os baunilhas fetichistas, aqueles não tão “hard”.

A Dor pode ser algo tão agradável quanto os primeiros raios do sol numa manhã muito fria.
A Dor faz com que um Flog seja visto como extensão dos braços de quem detém o poder.

Um tapa é um carinho, algemas, clamps, correntes etc são como joias na senzala e as marcas os presentes recebidos. A Dor também participa da beleza corporal, das expressões de êxtase e tesão.
Dor não é sentimento de autodestruição, nem ausência de amor-próprio. Dor é também amar a si e aos seus instintos.



Dor é gozo, é um requinte do prazer

Não se explica em palavras, o corpo

mostra a quem tem olhos para ver

É dialeto do corpo que treme e fala

o escrito na pele, em vergões, marcas

E a alma sente, grita, regozija, delira



Dor não é a resultante nem prova de fraqueza, ao contrário há de ser forte não somente para suportá-la, mas para reconhecer-se como adepto.
Bate-me e faça-me mais forte, me bate e faça-se minha (meu), na exata proporção em que me entrego, pois só me bates por consensualidade, me bates quando assim o desejas e por que permito. Dou a Ti o poder de bater, mas sei, embora não o diga, que posso retirá-lo quando assim o quiser...


Entrego-me e assim dou-te o poder, para que exerças este mesmo poder sobre mim. E faço a desigualdade que nos caracteriza e tanto apreciamos.





Werther von AY erschaffen


24 de setembro de 2016

FANATISMO



Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver, 
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça 
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros, 
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Florbela Espanca




25 de agosto de 2016

CADELAS NÃO GUARDAM MÁGOA



Ela havia suplicado a ele, de joelhos, que não a deixasse. Que não a abandonasse na estrada como um animal que não se quer mais e se deixa sozinho num lugar estranho pra que fique desorientado e não saiba voltar. Mas, ele estava irredutível.

Ela também estava determinada a segui-lo e nem se preocupou em secar as lágrimas. Correu atrás do Dono em desespero, língua pra fora a destilar pela estrada, gota a gota, todo seu amor submisso... O pelo encharcado do suor frio de medo... Os olhos vidrados colados no Dono lá na frente, para não perde-lo de vista um só instante. 

Ele dirigia sem olhar para trás. Estava determinado a não parar. Tinha receio de se arrepender, parar e pegar a cadela ao colo, e sentir mais uma vez as delícias de seu amor inteiramente despojado, o amor e as carícias que recebia desde que a tomou para si. 

Na corrida seguindo o Dono ela via de relance pessoas às margens da estrada. Algumas, bem poucas, a incentivando a continuar... Muitas, sem entender o porquê de seu amor incondicional, gritavam: 

_Pára! Volta!... Não vê que ele não liga?... Desista! Haverás de encontrar outro que te queira! 

Não percebiam, essas pessoas, que ela não queria mais ninguém além de seu dono? Não queria e não precisava. Não queria, não precisava e nem podia. Pois já não tinha mais nada que ainda fosse seu para entregar a outro. TUDO em si já tinha entregado a ele.

Incrédulo diante de tanta determinação, ele arriscou uma olhada pelo retrovisor. 
Ofegante, ela não perdia a esperança, não deixava de acreditar e isto o comoveu e o fez parar. Não deu uma ré com o carro, no entanto, quis experimentar se ela conseguiria chegar até ele... Parecia que cairia a qualquer momento. Mas, ela não caiu e respirou aliviada quando ele abriu a porta e a deixou entrar. 

Saltou rápido pra dentro, com medo que ele desistisse de leva-la de volta, e o lambeu agradecida. Seus olhos guardavam um brilho inacreditável. Ele a afagou no pelo e achou que ela sorria... Mas, cadelas não sorriem... Que expressão seria aquela? 

Ela continuou lambendo a mão do dono, sorrindo. E ele aprendeu - coisa mais linda - que, além de sorrir agradecidas, cadelas não guardam mágoas.


Amar Yasmine do SENHOR WERTHER

em setembro de 2003

14 de agosto de 2016

EXPLICANDO O NOME "AMAR"



Muitos pensam que este nome é uma alusão ao verbo amar. Não, não é.
"Amar" quer dizer "Lua no Quarto Minguante", em árabe. A Lua Minguante com seus mistérios.
A Lua  que reverencia à Deusa Ceridwen,  Senhora da chave e do caldeirão, Deusa da Sabedoria, da Inteligência, da Fé e da Compreensão. 

A Deusa Anciã, que reside no Norte, que conhece o passado de todas as coisas e tem o conhecimento de muitos mistérios do universo.
Ceridwen tem o poder de exterminar todas as coisas negativas, transmutar Karmas, solucionar problemas, curar doenças, afastar intrigas, inveja, problemas e os obstáculos que nos impedem de chegar à plena felicidade.

Por isso, é na Lua Minguante que meditamos, para finalizar projetos e expurgar tudo que for negativo.




Meditação da Lua Minguante



Concentre-se. 
Visualize Amar, uma lua minguante, 
envolta pelo manto escuro da noite.

Ela se curva para a esquerda 
para homenagear Ceridwen, 
a Anciã que ultrapassou a menopausa. 

Todas as coisas devem terminar 
a fim de suprir seus inícios. 


O grão que foi plantado deve ser cortado. 
A página em branco ser destruída, 
para que a obra seja escrita. 

A vida se alimenta da morte; 
a morte conduz à vida 
e, nesse conhecimento, 
encontra-se a sabedoria. 


Ceridwen é a mulher sábia, 
infinitamente velha. 

Sinta a sua própria idade, 
a sabedoria da evolução 
armazenada em cada célula do seu corpo. 

Conheça o seu próprio poder para finalizar; 
para perder, assim como para ganhar; 
para destruir aquilo que está estagnado e decadente. 

Veja a Senhora em seu manto negro sob a lua minguante; 
invoque seu nome 
e sinta seu poder em sua própria morte.





24 de julho de 2016

TE DEVO MUITO, DONO



Te devo tanto, meu DONO

Te devo minha alegria em tempos difíceis
E a vontade de viver para ser sempre tua

Te devo a submissão que me impregnas
E o fortalecimento da minha fé numa entrega absoluta

Te devo o conquistar do Homem pela mulher por trás da escrava
E o lugar que me destes na palma da tua mão

Te devo o resgate da minha auto estima 
E o meu renascimento 

Te devo o despertar da puta adormecida
E a minha naturalidade, enfim, de volta

Te devo o latejar constante do meu sexo
E a doçura que agora irradio a cada respirar

Te devo o pulsar acelerado do meu coração
E a quietude da minha alma

Te devo todo aprendizado

Meu crescimento

Meu aprimoramento 

E a minha paz


Amar Yasmine do 
SENHOR WERTHER

{W_[amar yasmine]}

18 de julho de 2016

SEM NENHUM PUDOR

Momentos Marcantes da Minha Infância




Minha infância foi reveladora, com desejos intensos, sensações múltiplas, fase de muitos mistérios, também de fatos velados, medos aterradores, componentes que já me conduziam ao prazer. Foi na infância, lá por volta dos sete anos, que descobri que o sexo, muito mais do que um pecado, segundo a educação que me davam, era algo tão prazeroso que fazia vibrar cada uma das minhas células.

Foi também na infância que escolhi um papel bem diferente dos escolhidos pela maioria das mulheres em qualquer idade: mais do que escolher, determinei pra mim mesma que seria submissa, o objeto de prazer de um homem.

Desde bem pequena notava a insistência de olhares masculinos sobre mim. Estava longe de ser uma menina bonita, mas era delicada, envaidecida e orgulhosa de ser mulher. Desde esta época, eu agradecia por ter esta sorte.



Tinha cabelos longos, bem abaixo da cintura, que minha mãe escovava todas as noites dezenas de vezes, apesar das minhas reclamações, me dizendo pra ficar quieta pois eles precisavam se manter macios e brilhantes porque um dia eu encontraria um homem que se orgulharia de ter uma mulher com cabelos assim.
Então ela me convencia com este argumento e eu ficava imóvel, contando em silêncio cada uma das vezes que a escova tocava minha cabeça e descia pelos fios... até Morfeu me levar em seus braços para lugares diversos, cercados de mistérios e poesia, onde eu podia ser o que quisesse pois ninguém me censuraria.

Aos quase nove anos, num sábado perto do meio da tarde, parou um carro do outro lado da rua e dele desceram algumas pessoas. Minha mãe tinha saído pra encontrar meu pai e me deixara com a empregada que para se livrar da incumbência permitiu que eu ficasse brincando com as outras crianças no passeio.

O carro era grande e bonito, tão bem encerado que eu até podia ver meu reflexo na pintura como se olhasse no espelho. Dentro dele havia dois homens e uma mulher. Um dos homens desceu com a mulher e juntos se encaminharam ao portão da casa. O outro atravessou a rua e veio em nossa direção. Ele devia ter a idade do meu pai, usava bigode e me fascinou com sua voz grave e macia. Aproximou-se de nós, falou algumas coisas que eu não me recordo, pois meus olhos estavam fixos nele... Daí em diante, só me lembro dele ter pegado minha mão e me levado com ele para o outro lado da rua, sob o pretexto de que eu seria o amuleto que lhe daria sorte no jogo.


Eu já ouvira meus pais falarem que naquela casa funcionava um cassino, mas não sabia o significado da palavra e me deixei levar pra dentro encantada. Era tudo muito bonito e bem arrumado. Cores alegres, vibrantes, mesmo com as cortinas cerradas. Sentaram-se à volta de uma mesa redonda onde havia muitas moedas de plástico empilhadas por cor e várias caixas de baralhos. O homem de bigode se sentou e me colocou montada em sua coxa esquerda como se fosse sobre um cavalo. Por vezes passava os dedos pelos meus cabelos e, quando o fazia, eu sentia o cheiro de seu perfume. Não me lembro de como era seu rosto, mas guardei na lembrança suas mãos de dedos longos segurando as cartas, o formato agradável de suas unhas, os braços cobertos por uma camada fina de pelos, os pulsos largos e aquele relógio com ponteiros que davam saltos sincopados, num tempo sempre igual.




Algumas vezes suas mãos deixavam as cartas viradas pra baixo sobre a mesa e seus dedos envolviam minha cintura pequenina. Nestes momentos me lembro de estremecer e de sentir uma dorzinha muito fina e gostosa vinda de baixo, me invadindo insistente, como se fosse uma agulha bem longa, feito as de tricô, tentando perfurar algo dentro de mim, abaixo do meu umbigo. Quando ele me soltava, e voltava a segurar as cartas a dor desaparecia. Entretanto, quando ele as deixava de novo sobre a mesa, mesmo antes de me tocar, lá estava de novo a agulha, tentando e tentando, até que senti quando ela pareceu romper algo dentro de mim e, muito envergonhada, pensei ter feito xixi sobre a coxa dele.

Ele me colocou no chão e eu olhei rápido pra perna dele. Sua calça estava úmida onde eu estivera sentada e eu o ouvi dizer:
_Vocês querem tanto que eu me case, então encontrem pra mim a réplica desta menina em tamanho maior e deixarei para sempre  de ser solteiro._E deu uma gargalhada alta e generosa que encheu toda a sala.



Todos riram e eu fugi correndo daquela casa ignorando os chamados para que eu voltasse, para me refugiar no aconchego do meu quarto. Me enfiei na cama, coloquei o travesseiro sobre a cabeça e lá fiquei escondida em meio a lágrimas, pensamentos, desejos e vergonha.

Meus pais chegaram, tentaram tudo pra que eu saísse da cama e comesse... Ma eu não saí. Durante dias fiquei ali com a cabeça sob o travesseiro... A cama foi o meu lugar predileto naqueles momentos de inquietude. Sentia a mão dele na minha cintura e lá estava a agulha longa de tricô insistindo em perfurar alguma coisa dentro de mim.

O tempo passou, nunca mais vi aquele homem, mas jamais o esqueci.  Ouvi meus pais comentarem que os vizinhos perderam a casa no jogo. E eu pensava se um dia teria a sorte de encontrá-lo novamente para ver mais uma vez aquelas mãos de dedos longos segurando as cartas, o formato agradável de suas unhas, os braços cobertos por uma camada fina de pelos, os pulsos largos, um deles com aquele relógio cujos ponteiros saltavam sempre num ritmo só... E sentir seu perfume... Suas mãos enlaçando minha cintura... E a agulha longa de tricô me invadindo por baixo...





Amar Yasmine do SENHOR WERTHER
texto redigido e publicado pela primeira vez
em setembro de 1998

10 de julho de 2016

LIMITES PERIGOSOS

Limites configuram um terreno onde se pisa devagar, onde se transita com cuidado extremo, um quase campo minado.

O Limite físico trata apenas da superação do corpo, das dores, e até da exaustão, mas há outros Limites bem mais delicados e perigosos. Os Limites do Emocional, da autoestima.

Na ótica submissa a autoestima é fundamental, é o motor de arranque para que essa máquina de servir funcione plenamente. O combustível é a atenção e o cuidado dispensado por quem Domina. Construímos a submissão cuidando de quem nos oferta o poder que exercemos, mas podemos destruir a tudo quando agimos de forma contrária.

Aí reside a responsabilidade de quem Domina. Isso é construção, a construção de laços em uma relação e a própria relação. Não basta somente construir uma Liturgia, ou comportamentos. Há de se construir a vontade, o querer pertencer. Infelizmente isso é algo que não é percebido por quem não é do ramo.

Na relação BDSM há um desequilíbrio de poder e a necessidade de um equilíbrio nas ações.




Não existe uma receita padrão para lidar com isso, cada submissa tem lá as suas particularidades emocionais. Em uma senzala múltipla forçosamente haverá a necessidade de um diferencial no tratamento. Elogios constroem, criticas construtivas idem, mas aquelas descabidas, assim com a Humilhação excessiva, principalmente quando impensada, podem ter consequências desastrosas. A Empatia permite entender, pelo menos em parte, como o lado submisso pode reagir. Colocar-se no lugar de quem dominamos, quase sempre do sexo oposto, é necessário.

Dominar é conhecer a mente submissa.

A autoestima destruída descaracteriza a pessoa e pode acarretar em revolta, negativismo e até mesmo Depressão. Já vi muita gente vivida no BDSM ter problemas decorrentes do “mal uso” por que passaram (no BDSM o bater não significa mal tratos, muito pelo contrário). 

Não aludo unicamente à questão amorosa, isso é importante, mas fatores outros como senso de Justiça e reconhecimento são igualmente importantes. Submissos (as) precisam saber de como e quanto são importantes para seus Donos. Justamente por isso, desde o início da minha relação com Amar Yasmine sempre fiz do orgulho que sinto por ela, uma verdade.


É minha!


Werther von AY erschaffen

5 de julho de 2016

AINDA LEMBRO

Lembro-me de um tempo em que o BDSM primava por uma Elegância, a Elegância do Comportamento. Era o tempo de glamour onde a imagem era muito importante e não bastava vestir a fantasia, era primordial vivê-la. Havia um encanto.
Lembro-me de um tempo em que a Liturgia tinha um forte significado. Não falo de uma Liturgia restrita a esta ou aquela senzala, mas da Liturgia que imperava no âmbito BDSM. A simbologia de um Dress code, o código de sinalização Esquerda/Direita indicando a posição Top/sub. Os Contratos e Registros. Até mesmo a Coleira que simboliza o compromisso e a posse, seja real, ou virtual, está cada vez mais rara.
O BDSM também tem os seus Protocolos e Formalidades
Tudo era mais sentido e palpável, havia um comprometimento maior! Participava-se de discussões, opinava-se mais, ensinava-se e aprendia-se.
A postura dos submissos era entendida como um reflexo da mão Dominante. A postura do submisso enaltecia a imagem do Top. Havia uma atenção em relação ao comportamento, não apenas nas plays, mas também no meio virtual.
Havia um quê de confraria. Já vi Top defender uma escrava encoleirada, ainda que não de sua propriedade, do assédio de outro Top, ou que assim se intitulava, apenas por uma questão Ética.
Em nome de uma pseudo modernidade, essa necessidade de simplificar tudo, até mesmo o essencial, o básico foi diluído, os alicerces condenados. Uma abertura excessiva também contribui para isto. A casa prestes a ruir.
Perdemos a essência!



Não é uma simples questão de saudosismo, preconceito, ou aversão ao novo; o fato é que muito da essência do BDSM vem, há algum tempo se perdendo.
Os recém chegados, em grande parte, não vivenciaram este momento, não conheceram esta realidade. Como poderiam exercê-la? E quem poderia, ou mesmo deveria manter e passar-lhes estes preceitos?
Essa descaracterização não acontece apenas aqui, no nosso “mundinho de quatro letras”. Há sim, uma tendência de toda a sociedade em simplificar coisas importantes como alguns valores, o que os torna quase descartáveis. Não é o que se faz, mas como se faz.
Falta conceito. Decorrente de tal situação, muita gente afastou-se das listas e agora das redes sociais. O que é visto apenas como renovação, esconde um esvaziamento da Cultura BDSM que se vê na mídia Web.



Werther von AY erschaffen

29 de junho de 2016

CUMPLICIDADE

Não há relação plena no BDSM sem Cumplicidade. É ela quem dita a intensidade e confere a "veracidade" das relações.

Cumplicidade não é Intimidade.

A condição fundamental para haver Cumplicidade é a Autenticidade das partes envolvidas que tem, como consequência a Confiança.

Dentre tantas definições, a Autenticidade é a garantia de que você é quem diz. Então é totalmente contraditório ser autêntico sem a consciência do fato.

Autenticidade não é exatamente aquilo que os outros percebem em nosso comportamento, mas sim o que nós mesmos percebemos em função do que praticamos.
O autêntico reconhece a si.




Ser autêntico é ser "Eu" em toda a plenitude, com tudo o que nos faz únicos. Negar este "Eu" é descaracterizar-se e assim cair no lugar comum. É ser apenas mais um.

Ser autêntico é saber-se e aceitar-se, sem incertezas; é impor a si a própria realidade em detrimento de qualquer outro padrão de ser. É não viver uma mentira, às vezes um estereótipo, mas sempre a própria verdade.

Há padrões em qualquer setor da atividade humana, o BDSM não é a exceção, então o Estilo, a Persona, é o grande diferencial, e este diferencial é o que faz a imagem do Eu, a imagem que projetamos.

Aquela retórica rígida que formatava os comportamentos em todo o universo BDSM e homogeneizava as pessoas há muito caiu no esquecimento, mas há ainda quem siga fielmente esta vertente, fato que respeito.
Ser autêntico é primar pela Coerência e isso é ser constante nos seus propósitos ao longo do tempo, às vezes à própria vida.

Ser autêntico é ser cúmplice de si. Fator essencial para uma outra Cumplicidade, agora com outrem. Isto traz para a cena o "Nós", em detrimento dos "Eus" e "Tus" que vivem em tantas relações insípidas, pois há pouco de "Re" e muito de "Ações".

O BDSM agrega, enquanto o individualismo camuflado na ausência de uma Cumplicidade nega  esta premissa e limita a relação.

Escrever nem sempre é fácil, há dias em que a inspiração passa longe, ou então perde-se o foco por algum motivo torpe. Dar um sentido às ideias fica muito mais fácil quando me reporto ao meu cotidiano, a alguém em especial, ou ambos.

Finalmente consegui parir alguma coisa pensando nas pessoas que admiro(ramos) (minha escrava e eu), mais especificamente você Vaca Profana, Lia Greco, vaquinha.




Conheço várias pessoas, no BDSM, dignas da minha admiração, citar a cada uma seria algo bem difícil, então, como exemplo, cito você, Vaca Profana, ou Lia Greco, a quem prefiro chamar simples e carinhosamente por  "vaquinha". Suas autenticidade, lucidez e coerência fazem de você alguém muito especial.




E tenho dito.
Muuuuuuu.

20 de junho de 2016

EU QUERO TE FODER...

Hoje, 20 de junho, são nove meses a seus serviços, 
Senhor Werther, meu Dono e meu Amor. 
Por acaso, encontrei no perfil de um amigo este texto lindo e, à medida que lia, 
comecei a ouvir sua voz rouca e macia sussurrando cada palavra 
desta maravilhosa declaração de amor nos meus ouvidos. 
Não consigo desvincular as palavras da sua voz. 
Para mim, mesmo sabendo que não, a autoria é sua, meu Dono. 



"Eu quero te foder. Essa é a melhor declaração de amor que eu posso te oferecer, porque não há nada mais amoroso que dizer a quem se ama: eu quero te foder. Foda-se o moralismo, foda-se o romantismo, foda-se o clichê, o ético, o convencional… me perdoem os ultrarromânticos…
Amor pra mim é essa vontade que eu tenho de te foder pela casa inteira e em outros tantos lugares que esse mundo vasto pode oferecer a dois amantes depravados.




Eu sei, eu poderia dizer que te amo, mas se eu dissesse apenas isso, você não saberia o quanto eu quero te foder. Porra, se eu te chamo de vadia, vagabunda, cachorra, puta…Eu tô dizendo que te amo, tô dizendo que te foderia a vida toda sem perder o puto tesão que eu sinto todas as vezes que você me provoca rebolando na minha cara. Eu quero te foder, quero entrar fundo no teu corpo, porque além de ser a forma mais sincera que eu encontrei de demonstrar meu amor, essa também é a maneira mais profunda de encostar minha alma na tua."

Otávio L. Azevedo, O Buendía


12 de junho de 2016

TODOS OS DIAS SÃO NOSSOS



_Parabéns pra N/nós, Dono.._ela disse sorrindo com um olhar adocicado...

_Parabéns por que, MINHA criança?

_Porque hoje é o Dia dos Namorados, meu Dono..

_Então, deixe que os namorados comemorem, escrava.

_Não podemos comemorar também, meu Senhor?

_Se você acha que é tão importante... se pensa que é isto que somos...

Ela parou pra pensar se era mesmo tão importante... se fazia falta... e concluiu:

_Não é importante, meu Dono e meu Amor. Foi só um momento bobo, este de  comparar o que temos e o que somos um para o outro, com o que têm os casais que precisam de uma data instituída pela sociedade de consumo para fomentar o mercado e, só aí, se lembrarem de comemorar sua relação.

_Ahhh... chegou onde eu queria...

_Perdão, meu Senhor, se por um instante me deixei levar por pensamento tão leviano. É claro que não precisamos comemorar um único dia, se estamos sempre comemorando , todos os dias e todos os momentos da vida. Se temos o que raros casais têm.

_Hummm... veremos... acho que posso ser condescendente com você dessa vez. Afinal... _E de repente se calou enigmático.

Ela sabia muito bem qual era o seu papel... onde era seu lugar. A consciência a fez baixar imediatamente a cabeça e a manter os olhos presos ao chão. E quando ele lhe fez um afago em seu pelo loiro e com a voz grave e macia o ouviu dizer bem pertinho do ouvido:

_MINHA escrava submissa, MINHA masoquista, cadela atenciosa, MINHA puta, MINHA filhinha, MEU brinquedo, palácio onde descanso das dores do mundo, MEU oásis... MINHA!!!

Ela suspirou encantada e sentiu o tesão provocar aquela fisgada nas entranhas que sempre a faz molhar... 

27 de maio de 2016

LA PETITE MORT



Adoro sexo, sempre adorei. Já adorava mesmo quando não sabia o que era, que existia o tesão e o orgasmo, que prefiro chamar de gozo.

A primeira vez que gozei achei que estava morrendo e choreiiiiiiii... Eu tinha apenas 13 anos e ele beirava os 50... Era um homem maravilhosamente ordinário, o meu dentista.

Ele subiu minha saia até a cintura, arrancou minha calcinha, abriu minhas pernas e ficou olhando... Eu não sabia, mas já adorava ser escancarada e olhada. Ele fez isso e começou a beijar minhas pernas... Subindo pela parte interna das coxas... Roçando a minha carne com seu bigode ruivo, atrevido e macio.

E eu pensei desesperada: "Será que ele vai colocar a boca lá???"

Não estranhem. Eu vivia trancafiada por pais muito conservadores e rígidos que me vigiavam 24 horas por dia.  Mas, como diz o diabo:
_Nada segura uma mulher com tesão... Nem mesmo quando ela é apenas uma menina."

Eu não ía sozinha a lugar algum, mas ele era o dentista de toda família, um senhor respeitável, meus pais tinham certeza de sua seriedade.

Sua boca subindo ávida pelas minhas coxas e eu pensando que aquilo não podia existir porque ninguém colocaria a boca no sexo de uma pessoa... Mesmo assim, não esbocei nenhum gesto que o pudesse desencorajar e deixei que ele se regalasse em mim. Pra que impedi-lo de fazer coisa tão boa??? Portanto, permaneci imóvel e muda.

Que o mundo acabasse naquela hora! Era tudo que eu queria... Pra que viver depois de uma maravilha daquelas?

Ele levantou minhas pernas até que os joelhos tocassem meus seios e as manteve flexionadas e escancaradas. Degustou meu tesão com absoluta calma e prazer.
Afundou a língua macia me invadindo, alternando com movimentos suaves em volta do grelo... Bem de leve... Como deve ser uma boa chupada...

E foi num átimo que o gozo chegou e me pegou de cheio.

Estaria eu morrendo? O choque foi surpreendente. O coração voando louco... O sangue circulando pelas veias como uma corredeira... Por todo o corpo... Meu rosto que eu sentia rubro... Todo meu ser em labaredas... Em seguida, um amolecimento delicioso... Uma total incapacidade de esboçar qualquer reação... Um entorpecimento... Uma calma jamais sentida... A paz!

Me esvasiei de chorar por baixo e por cima... Sim... Eu solucei de prazer e de medo... Medo de morrer... Eu estava, sim, morrendo... Solucei.

_Calma, minha criança, esta não é a morte derradeira,  é apenas "la petite mort", como chamam o gozo, os francezes. E me aconchegou em seus braços.

Aos poucos, meus soluços foram se esvaindo e, o que restou deles, se transformou num suave ressonar junto ao peito dele.

20 de maio de 2016

OITO MESES



Oito meses a teus pés, parece que foi ontem a noite de 20 de setembro de 2015.


Com o poder de um raio me possuistes, invadistes minha alma e, com sabedoria e competência ocupastes os espaços do meu coração incrédulo e sem esperança.

A cada dia, desde então, sou mais tua. Vivo para Te saber feliz, para ver o teu prazer e o teu orgulho e, tudo isto, meu Dono, faz de mim uma mulher plena e uma escrava na busca do aprimoramento.

Ser tua me abriu as portas da felicidade, Senhor Werther, meu Amor e, posso Te assegurar, que não haverá limites à minha dedicação,  devoção e à minha submissão.

Todas as mulheres que existem em mim Te agradecem por toda luz que derramas sobre mim e sobre minha vida. Todas essas mulheres se curvam docemente submissas e obscenamente perversas para beijar teus pés, tuas mãos e tua alma.

16 de maio de 2016

DUALIDADES



Amar Yasmine, MINHA escrava!

Não sou seu, não lhe pertenço!

Não aceito ordens, pois escravo seu não sou e nem lhe faço vontades. Não sou submisso.

Não me diga o que fazer, ou pensar; faça tão somente o que lhe ordeno e o que permito. E o que permito é a sua felicidade em saber que me pertence e a mim serve.

Mostre-se a mim, mostre-se toda, sem reservas. Encante-me e me fascine; mostre-me sua inteligência e me seduza. Cubra-se em Luxúria e com este véu turve a minha razão.


Sublime-se, faça-se etérea e solte-se no ar. Perfume o ambiente de Feminilidade e Lascívia.

Perverta o tempo e os sentidos, transforme a minha resistência e o meu não querer, sem o seu querer, em tesão e desejo.

Com a teia dos seus cabelos, ofusque minha visão. Não me prenda, mas me faça perdido com sua leveza e sua transparência.

Desperte meus instintos e desejos. Você, ser diáfano e profanador. Sufoque-me com seus cheiros e me afogue em seus líquidos. Faça-me inebriado e embriagado de você.

Desmonte minhas barreiras com a doçura e o encanto dos seus mistérios e me mostre seu lado mais lúgubre, a sua doce sombra.



Busque em mim os desejos inconfessáveis e me diga dos seus. A esta altura, somente os corpos falam, conversam e se perdem em descaminhos.

Perverta-me a moral e todos os resquícios do certo e do errado. Mostre-me a sua moral, pois o certo agora é somente o prazer.

Mostre-me as sutilezas, doçura e a leveza da “morte” e da pequena morte. E, então resgate-me e afague a minha fraqueza.


Agora sou seu!

Mas não lhe pertenço.


Werther Von AY erschaffen



10 de maio de 2016

A DIVERSIDADE E A VERDADE DE CADA UM


O BDSM, ao longo do tempo, vem se metamorfoseando. O que era inicialmente definido em uma ótica muito crua e restrita, apenas o SM, evoluiu com a inserção das duas outras consoantes; isso, no meu entender, trouxe um sentido mais abrangente, significativo e apropriado, afinal o BDSM atual é muito mais do que reflete a dualidade Sadismo e Masoquismo.

O que temos atualmente inserido sob a égide dessas quatro letras é uma infinidade de Fetiches e Comportamentos, que desde a época das listas até hoje, nas redes sociais, tem sido motivo de constantes questionamentos, pareceres e discussões. O BDSM ficou departamentalizado, embora não se trate de “setores estanques”.


Com bom senso e respeito, consegue-se permear por estes e conviver com as diversas opiniões, sem choques. Aliás, choques é o que não falta por aqui.
O BDSM passou a ser como a impressão digital. Cada um tem a sua, mas todas com aquelas ranhuras e linhas concêntricas como significado de “uma só essência”.

Apesar dessa diversidade, temos algo em comum, que deveria ser um fator de união.
Somos considerados diferentes; somos (todos) a exceção. Somos contracultura.
Somos estereotipados, criticados, marginalizados... E outros tantos “ados”. Além disso, não temos visibilidade social, como há em outras “civilizações”, especialmente na seara norte-americana, ou na europeia.

Por aqui, os conceitos da moral vigente não permitem que sejamos respeitados e entendidos como um grupo de pessoas normais, que trabalha, paga seus impostos, assume responsabilidades, etc. Há o “status quo”, de uma falsa moralidade, impregnado na mídia, que permeia a sociedade cerceando a visão, o entendimento e a razão.

Neste ponto, até que o contestado "50 Tons de Cinza" serviu para mostrar que existimos e que não somos um bicho de sete cabeças, ou a besta do Apocalipse. É muito certinho e bonitinho, é bem romanceado, mas tem lá o seu valor; afinal o BDSM real não exclui a passionalidade.
Muito das relações primam por esta vertente. A gente se apaixona por aquilo que faz, ou pelo outro lado, seja a pessoa, o personagem, ou ambos.
Quanto a mim, jamais saí totalmente ileso de uma relação, nem tenho a pretensão de que isso aconteça.



Penso que certas coisas na vida não admitem o meio termo, ou você entra inteiro, ou é melhor não se aventurar. Por outro lado algumas flores têm espinhos, então...
Amo ao que tenho e principalmente ao que conquisto; então a minha escrava não seria a exceção.
É assim: O BDSM tem os bônus e também os ônus!
Mesmo assim, sou daqueles que acreditam que o melhor é manter o BDSM na obscuridade, pois quanto maior for sua exposição, maior será a pressão. Isso sem contar com o assédio de curiosos, e pior, dos arautos da hipocrisia, que sempre aproveitam para criticar.

Eu gosto é assim, na obscuridade, no gueto. O BDSM é fascinante, e continua fascinante mesmo depois de tanto tempo. Por que há pessoas fascinantes, essa é a questão. Pessoas inexpressivas, que não fascinam, simplesmente desaparecem com o tempo. Aqui não é diferente do que ocorre na natureza, há sim, uma seleção natural. A força de cada um está na sua autenticidade e só os autênticos sobrevivem.

Certamente a metamorfose do BDSM não chegou ao fim, as combinações das quatro letras tem um limite, mas não a imaginação e a criatividade do ser humano, ou a diversidade de novos e inimagináveis comportamentos. Conviver nessa verdadeira galáxia, em que todos brilham é fácil, basta ter a noção do próprio brilho e respeitar os demais.


Werther von AY erschaffen

8 de maio de 2016

PARABÉNS, MAMÃES, HOJE É SEU DIA!

Mas, que mães?




Nós, homens e mulheres, crianças, animais, vegetais, minerais, manifestações maravilhosas da natureza, que acolhemos, punimos para educar. Todos nós que protegemos, acariciamos e inspiramos.



Todos nós que, além de criarmos os próprios filhos, criamos os filhos dos outros. Que abrimos os braços para socorrer quem está a perigo, que ajudamos os que precisam de ajuda. Que dividimos nosso alimento com qualquer ser, seja de que ordem for a fome e o alimento.



Todos nós que multiplicamos nosso amor, que nos despojamos dos sentimentos pequenos, que procuramos viver a grandiosidade nos concedida pela Força Criadora do Universo. Nós, que imitamos o brilho dos astros na vida de alguém. Que abrimos para outros o caminho físico, ou mental, entre as trevas.



A natureza. As árvores que nos dão seus frutos e nos oferecem a sombra de suas copas frondosas. A chuva que rega, a briza que acaricia, o vento forte que limpa. As pedras e os espinhos que ensinam.
O fogo que purifica, a água que mata a sede. Por fim, a terra. Ela que, sempre, recebe a cada um de nós de volta a seus braços.



Bem-aventuradas, mães!